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Conselheiro dos EUA diz que não há razão para o Irão abandonar o acordo nuclear

Kevin Lamarque/ Reuters

John Bolton recusou-se a dizer o que os Estados Unidos fariam em resposta a esta situação.

O Conselheiro de Segurança Nacional de Donald Trump disse hoje que "não há razão" para o Irão desistir do seu acordo nuclear com outras potências mundiais, a não ser que queira produzir armas atómicas.


O Irão estabeleceu um prazo até 07 de julho para que os parceiros europeus ofereçam melhores condições para o acordo nuclear de 2015, caso contrário, o país retomará o enriquecimento do urânio ao nível do armamento.



"Não há razão para fazerem (enriquecimento do urânio), a menos que seja para reduzir o tempo para ter armas nucleares", disse Bolton, que está em Abu Dhabi.


Os Estados Unidos abandonaram há mais de um ano o acordo nuclear firmado em 2015, em Viena, entre vários países e o Irão.


John Bolton, conselheiro muito próximo de Donald Trump, alegou - sem mostrar provas, - que a suposta sabotagem de quatro navios petroleiros ao largo da costa dos Emirados Árabes Unidos ocorreu através de minas navais colocadas "quase certamente pelo Irão".


O conselheiro norte-americano disse aos jornalistas que houve anteriormente uma tentativa desconhecida de atacar também o porto petroleiro saudita de Yanbu.


Autoridades sauditas não responderam imediatamente a um pedido de comentário sobre a alegação de Bolton sobre o Yanbu, que é o ponto final do oleoduto que atravessa de leste a oeste o Reino.


Aquele oleoduto foi atacado nos últimos dias por 'drones' lançados pelos rebeldes iemenitas Houthis, apoiados pelo Irão.
Nas últimas semanas, as tensões cresceram na região do Médio Oriente à medida que os EUA aumentaram a sua presença militar no Golfo Pérsico em resposta a uma ameaça ainda inexplicada que viria do Irão.


Os Estados Unidos também acusaram o Irão de estar por trás de uma série de incidentes, incluindo a suposta sabotagem de petroleiros perto da costa dos Emirados Árabes Unidos e um foguete que caiu perto da embaixada dos EUA em Bagdad, enquanto rebeldes do Iémen, aliados do Irão, lançaram uma sequência de 'drones' para ataques contra a Arábia Saudita.


O Irão, por sua vez, anunciou que está a afastar-se do acordo nuclear de 2015, que limita o seu enriquecimento de urânio em troca do levantamento das sanções económicas.


John Bolton afirmou que, sem mais centrais nucleares, não faz sentido para o Irão armazenar mais urânio enriquecido, como pretende fazer agora.


Mas os EUA também cortaram a capacidade do Irão de vender o seu urânio para a Rússia em troca de urânio amarelo não processado.


O Irão insistiu há muito tempo que o seu programa nuclear é apenas para fins pacíficos.


No entanto, as potências ocidentais pressionaram pelo acordo nuclear para limitar a capacidade do Irão de ter armas atómicas.

Lusa