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Ministério Público australiano considera condenação do cardeal George Pell por pedofilia "incontestável"

Mark Dadswell

Pell, que foi responsável pelas finanças do Vaticano, foi condenado por abusar sexualmente de duas crianças.

A condenação do cardeal australiano George Pell por pedofilia "é incontestável", disse hoje o procurador do Ministério Público, no segundo dia de análise do recurso apresentado pelo antigo 'número três' do Vaticano no Supremo Tribunal de Victoria.

Os advogados do ex-arcebispo de Melbourne e Sydney, de 77 anos, criticaram o veredicto do tribunal de primeira instância, classificando-o de "irracional", descrevendo os factos dados como provados de "impossíveis".

George Pell foi condenado em dezembro de 2018 por cinco acusações de abuso sexual a duas crianças do coro em 1996 e 1997. Em março, foi condenado a uma pena de seis anos de prisão.

Pell, que foi responsável pelas finanças do Vaticano, foi condenado por abusar sexualmente de duas crianças do coro na Catedral de St. Patrick, em Melbourne, em duas ocasiões, em 1996 e 1997.

Uma das vítimas de Pell morreu de overdose de heroína em 2014, aos 31 anos de idade, aparentemente sem fazer qualquer acusação de abuso. A lei estadual impede que as vítimas de agressão sexual sejam identificadas publicamente.

Uma das principais bases do seu recurso passa por alegar que o veredicto foi "irracional" porque se baseava unicamente no testemunho de uma das vítimas.

O ex-arcebispo, que era responsável pelas finanças da Santa Sé e participou na eleição de dois Papas, é o mais alto responsável da Igreja Católica condenado por pedofilia.

Na sua sua primeira declaração no tribunal, o procurador Christopher Boyce rejeitou o argumento da defesa de que o testemunho da vítima é "uma fantasia".

Se fosse esse o caso, teriam sido detetadas falhas, alegou, sublinhando que o júri "legitimamente considerou o queixoso como uma testemunha credível e de confiança".

"Quando examinamos todas as provas, a integridade do veredicto do júri é indiscutível", concluiu.

O líder da equipa de defesa do cardeal, Bret Walker, elencou na quarta-feira "13 obstáculos sólidos no caminho para a condenação".

Se dois dos três juízes aceitarem os argumentos, o cardeal de 77 anos poderá ser libertado ou submetido a outro processo judicial.

O papado de Francisco tem vivido algum tumulto devido aos abusos sexuais perpetrados por membros da Igreja.

Em pouco mais de um ano, o Papa admitiu ter cometido "graves erros" no pior caso de encobrimento do Chile, Pell foi condenado por abuso, um cardeal francês foi condenado por não denunciar um pedófilo e um terceiro cardeal, o ex-líder da Igreja dos EUA, Theodore McCarrick, foi destituído depois de uma investigação do Vaticano que determinou que abusou de crianças e adultos.

Em fevereiro, os presidentes das conferências episcopais de todo o mundo e responsáveis de institutos religiosos e da Cúria Romana reuniram-se no Vaticano, por determinação do Papa, para debater medidas de proteção a menores na Igreja Católica.

Recentemente, o Papa Francisco anunciou legislação mais rigorosa que obriga os sacerdotes e os religiosos a denunciarem suspeitas de abusos sexuais na Igreja, assim como qualquer encobrimento pela hierarquia.

Francisco determinou ainda que todas as dioceses do mundo criem antes de junho de 2020 um sistema acessível a quem quiser fazer uma denúncia, bem como a total proteção e assistência aos denunciantes.

As novas regras são ditadas pelo ‘Motu Proprio’ (documento da iniciativa do próprio Papa) "Vos estis lux mundi" (Vós sois a luz do mundo) e entraram em vigor em 1 de junho.

Lusa

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    O cardeal australiano George Pell, que chegou a ser a terceira pessoa mais importante do Vaticano, foi condenado por abusos sexuais de menores. Um tribunal australiano considerou provadas as acusações de que Pell terá abusado de dois rapazes, em 1996, quando era arcebispo de Melbourne.

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