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Oposição critica Governo mexicano por se "render" a Trump no reforço de fronteiras

Mike Blake

Marko Cortés exigiu que o Presidente mexicano explique se o acordo "inclui a suspensão do tráfico ilegal de armas dos Estados Unidos para o México".

Os principais partidos da oposição mexicana contestaram este sábado o acordo de migração firmado entre o México e os Estados Unidos da América (EUA), considerando que o governo mexicano "se rendeu" à exigência de "militarizar" a fronteira sul.

"O Governo do México foi forçado a cumprir com a implantação de um muro militar no sul", criticou através das redes sociais Marko Cortés, presidente do Partido de Ação Nacional (PAN).

Embora admitindo que "é positivo para o país que não haja novas tarifas sobre os produtos mexicanos", o líder da segunda força política do país também considerou que "a soberania e a dignidade do México foram prejudicadas" num acordo negociado com "medo".

O dirigente deste partido de direita criticou que o acordo converterá o México em "recetor temporário de migrantes deportados que aguardam a resolução de seu pedido de asilo" nos EUA.

Marko Cortés, citado pela agência espanhola Efe, exigiu que o Presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, explique se o acordo "inclui a suspensão do tráfico ilegal de armas dos Estados Unidos para o México".

"O México não deve militarizar a sua fronteira sul, não somos o quintal de Donald Trump", disse, por seu lado, Ángel Ávila, secretário-geral do Partido da Revolução Democrática (PRD).

O opositor criticou o Governo de esquerda de López Obrador de ceder em "todos os pontos" exigidos pelos Estados Unidos, como a mobilização de 6.000 elementos da Guarda Nacional na fronteira com a Guatemala.

Em sua opinião, o que se passou esta semana em Washington "não foi uma negociação, foi uma rendição" e lamentou que, com o acordo, o "México rompe uma tradição histórica de defender os migrantes".

Pelo menos 50 senadores do Movimento Nacional de Regeneração (Morena) mudaram-se para a cidade fronteiriça de Tijuana para apoiar Lopez Obrador no local para celebrar o resultado do acordo com os EUA.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou sexta-feira a suspensão indefinida de tarifas sobre produtos mexicanos, que entrariam em vigor na segunda-feira, depois de chegar a um acordo com o México para "reduzir ou eliminar significativamente" o fluxo de migrantes.

Todos os migrantes que solicitam asilo nos Estados Unidos serão devolvidos ao México até que os seus pedidos sejam processados pelos tribunais dos EUA.

Se as duas partes não tivessem chegado a um acordo, as tarifas entrariam em vigor na segunda-feira, afetando todas as importações mexicanas, com taxas que começariam em 5%, subindo a cada mês até atingir 25% em outubro.

Lusa