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Hino do Liverpool e camisola de Salah inspiram jovens manifestantes em Hong Kong

Kin Cheung

"You'll Never Walk Alone" (Vocês Nunca Caminharão Sozinhos) serve de inspiração aos manifestantes.

O hino do Liverpool "You'll Never Walk Alone" (Vocês Nunca Caminharão Sozinhos) serve de inspiração a alguns dos milhares de jovens concentrados junto ao parlamento de Hong Kong, onde os cânticos de protesto foram trocados por guarda-chuvas.

Alguns dos jovens que vivem na antiga colónia britânica envergam camisolas do jogador de futebol do Liverpool Mohamed Salah com a frase inscrita "Never Give Up" (Nunca Desistas), embalados pelo hino da equipa inglesa, enquanto outros se dedicam a limpar as zonas onde se acumulava o lixo, "numa afirmação de civismo", explicaram à Lusa.


Um par de horas depois de ter sido anunciado o adiamento do debate das alterações à lei da extradição que motivaram a mobilização, muitos dos manifestantes refugiaram-se da chuva, enquanto alguns deitaram-se no chão para retemperar forças. A maior parte permanece vigilante, em pé, empunhando os guarda-chuvas.


Proposto em fevereiro e com uma votação final prevista para antes do final de julho, o texto permitiria que a chefe do Executivo e os tribunais de Hong Kong processassem pedidos de extradição de jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.


Alguns dos manifestantes que falaram com a Lusa, muitos deles estudantes, disseram estar dispostos a permanecer no local até que o Governo recue na intenção de avançar com as alterações à lei.


Em teoria, os tribunais locais analisariam os casos individualmente e poderiam usar o poder de veto para impedir certas extradições no território semi-autónomo da China e antiga colónia britânica.


Os defensores da lei argumentam que caso se mantenha a impossibilidade de extraditar suspeitos de crimes para países como a China tal poderá transformar Hong Kong num "refúgio para criminosos internacionais".


Os manifestantes dizem temer que Hong Kong fique à mercê do sistema judicial chinês como qualquer outra cidade da China continental e de uma justiça politizada que não garanta a salvaguarda dos direitos humanos.


A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio 'um país, dois sistemas', precisamente o que os opositores às alterações da lei garantem estar agora em causa.


Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

Lusa