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Líder do PT brasileiro acredita que existem provas suficientes para libertar Lula

Amanda Perobelli

Paulo Pimenta refere-se às mensagens que colocam em causa a imparcialidade da Lava Jato.

O líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados brasileira, Paulo Pimenta, afirmou hoje, em entrevista à agência Lusa, que "já existem documentos suficientes" para que o ex-Presidente Lula da Silva seja libertado.

Paulo Pimenta referia-se às mensagens divulgadas no domingo pelo 'site' The Intercept, que colocam em causa a imparcialidade da Lava Jato, a maior operação contra a corrupção no Brasil que resultou na condenação de empresários, funcionários públicos e políticos de renome como o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Os diálogos obtidos apontam para irregularidades na Lava Jato, principalmente as mensagens trocadas entre o procurador Deltan Dallagnol e o ex-juiz e atual ministro da Justiça, Sergio Moro.


"Já existem documentos suficientes para que sejam anulados todos os procedimentos conduzidos por Sergio Moro e Deltan Dallagnol, o que colocaria o ex-Presidente Lula na sua condição de inocente, de onde nunca deveria ter sido retirado", declarou à Lusa o líder do PT na Câmara dos Deputados.


Conversas privadas entre agentes públicos que participaram na Operação Lava Jato indicam que houve colaboração ilegal e falta de imparcialidade na investigação, escreveu o portal de investigação jornalística The Intercept.


Segundo o Intercept, conversas privadas revelam que Moro sugeriu a Dallagnol que alterasse a ordem das fases da operação Lava Jato, deu conselhos, indicou caminhos de investigação e deu orientações aos promotores encarregados do caso, ou seja, ajudou a acusação, o que viola a legislação brasileira que exige imparcialidade aos juízes.


Paulo Pimenta frisou que as mensagens reveladas no passado domingo só vêm reforçar aquilo que o PT sempre afirmou, de que as investigações nunca foram imparciais.


"Ao longo dos últimos anos, denunciamos que as condutas de Sergio Moro e dos procuradores da Lava Jato, especialmente Deltan Dallagnol, estavam absolutamente em desacordo com o que estabelece a legislação brasileira. Agiam como militantes políticos, era um projeto de poder, e isso ficou muito mais evidente com a ida de Moro para o Ministério da Justiça", sustentou.


"Mas, agora, as revelações do The Intercept mostram com detalhe que se tratava de uma verdadeira organização criminosa, que se fez valer das prerrogativas dos cargos que exerciam para, à margem da lei, prenderem o Presidente Lula e impedirem que Fernando Haddad [Notes:candidado do PT às presidenciais de 2018] não pudesse sair vitorioso da campanha presidencial", referiu Paulo Pimenta em declarações à Lusa.


O líder do PT na Câmara dos Deputados defendeu ainda o imediato afastamento dos envolvidos nas polémicas mensagens dos cargos que ocupam.


Além disso, Paulo Pimenta disse acreditar "não haver hipótese alguma" de Sergio Moro ser indicado como juiz do Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) no futuro, cargo que o atual ministro já declarou publicamente desejar.


"Acho que não existe nenhuma hipótese. As informações que tivemos é de que Moro se trata do verdadeiro chefe de um conluio criminoso. Como juiz de primeira instância foi capaz de afrontar o próprio Supremo. [Notes:...] Isso é incompatível com aquilo que é necessário para alguém conseguir ter um assento no Supremo Tribunal", disse o político.


No mês passado, o chefe de Estado do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou que pretende honrar um "compromisso" firmado com Sergio Moro e indicá-lo para o STF quando surgir a primeira vaga.
Moro, atualmente ministro da Justiça e Segurança Pública, ganhou notoriedade como juiz da operação Lava Jato, por condenar empresários, funcionários públicos e políticos de renome como o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


Segundo o portal de investigação The Intercept, as mensagens indicam que os próprios promotores da Lava Jato tinham sérias dúvidas sobre a qualidade das provas contra o ex-Presidente neste processo.


O The Intercept é um portal de jornalismo de investigação liderado por Glenn Greenwald, jornalista a quem o ex-analista norte-americano Edward Snowden revelou os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional norte-americana (NSA, na sigla em inglês).

Lusa