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Xi Jinping chega hoje à Coreia do Norte para uma visita de estado de dois dias

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É a primeira visita de um chefe de Estado chinês a Pyongyang em 14 anos

O Presidente da China partiu hoje para a primeira visita, desde 2005, de um líder chinês à Coreia do Norte, para abordar, entre outras questões, o programa nuclear, dado o impasse nas negociações com os Estados Unidos.

A agência de notícias oficial chinesa Xinhua indicou que a visita de Xi Jinping à Coreia do Norte decorre até sexta-feira e realiza-se a convite do líder Kim Jong-un. Acompanham o chefe de Estado chinês, a mulher, Peng Liyuan, e vários altos quadros do Partido Comunista Chinês.

Este é o quinto encontro com Kim, desde que o líder norte-coreano adotou a via diplomática, abrindo-se ao diálogo com os Estados Unidos, a Coreia do Sul e a China, no início do ano passado.

A cimeira surge numa altura em que Xi e Kim estão em disputa com o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em torno do comércio e da desnuclearização, respetivamente.

Xi deverá apoiar a proposta norte-coreana, mediante a qual Pyongyang abdicará gradualmente do arsenal nuclear, à medida que as sanções económicas forem levantadas.

Num artigo publicado na imprensa oficial de ambos os países, antes da viagem, Xi elogiou a Coreia do Norte por se mover na "direção certa" para resolver questões da península coreana.

Xi, que não mencionou diretamente as negociações com os EUA, lembrou a relação de sete décadas entre os dois países vizinhos e aliados comunistas.

A visita coincide com o 70.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a China e a Coreia do Norte e ocorre nas vésperas do 69.º aniversário do início da devastadora Guerra da Coreia (1950-53), que terminou com a assinatura de um armistício, ainda não substituído por um tratado de paz.

Nos manuais escolares chineses, a Guerra da Coreia é designada "Guerra para Resistir à Agressão Imperialista Americana e Ajudar a Coreia".

A visita de Xi foi anunciada, na segunda-feira, pelo Departamento da Ligação Internacional do Comité Central do Partido Comunista da China, ao invés do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, como é costume nas deslocações do chefe de Estado chinês.

Para o professor de Relações Internacionais da Universidade de Jilin, província chinesa situada junto à fronteira com a Coreia do Norte, "a China e a Coreia do Norte vão enfatizar a sua amizade tradicional, forjada no sangue derramado".

"Isto é muito raro, mas necessário para os dois lados, numa altura em que os Estados Unidos são outra vez os rivais de Pequim e Pyongyang", disse Wang Li à agência Lusa.

Lusa