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Conselho Europeu sem acordo sobre cargos de topo na UE

OLIVIER HOSLET / EPA

Nnova cimeira marcada para 30 de junho .

As discussões no Conselho Europeu sobre as nomeações para os cargos de topo da União Europeia terminaram hoje de madrugada em Bruxelas sem acordo, tendo por isso sido agendada nova cimeira para 30 de junho, indicaram fontes diplomáticas.

A discussão entre os chefes de Estado e de Governo dos 28 sobre os nomes a designar para a liderança das instituições europeias para os próximos cinco anos teve início no jantar de trabalho, cerca das 21:30 locais (20:30 de Lisboa), prolongando-se por quatro horas, mas não foi alcançado um compromisso, pelo que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, agendou nova cimeira para 30 de junho, às 18:00.

O objetivo declarado é chegar a um acordo antes da sessão inaugural do ‘novo’ Parlamento Europeu resultante das eleições de maio, que terá lugar em Estrasburgo de 02 a 04 de julho próximo, pois a assembleia deverá eleger o seu novo presidente, e este é um dos ‘altos cargos’ que é suposto ser negociado ‘em pacote’, de modo a serem respeitados os necessários equilíbrios (partidários, geográficos, demográficos e de género) na distribuição dos postos.

Além da presidência da assembleia, estão em jogo as presidências da Comissão Europeia – o cargo mais cobiçado -, do Conselho Europeu, do Banco Central Europeu e ainda o cargo de Alto Representante para a Política Externa.

Fontes europeias explicaram que a discussão neste Conselho Europeu centrou-se na nomeação para a presidência do executivo comunitário, constatando-se, sem surpresa, que nenhum dos ‘candidatos principais’ (‘Spitzenkandidaten’) das três maiores famílias políticas – Manfred Weber (Partido Popular Europeu), Frans Timmermans (Socialistas Europeus) e Margrethe Vestager (Liberais) – reúne uma maioria no Conselho.

No entanto, tal não significa que o modelo dos ‘Spitzenkandidaten’ – a escolha para a presidência da Comissão de entre os um dos candidatos principais ao cargo apresentados pelas famílias políticas nas eleições europeias de maio passado - esteja descartado, embora Weber, na prática, já tenha visto o seu nome ‘chumbado’ também no Parlamento Europeu, dado os grupos socialista (S&D) e liberal (Renovar a Europa), os segundo e terceiro maiores da ‘nova’ assembleia, se terem 'antecipado' ao Conselho e terem já comunicado ao alemão que não terá o seu (indispensável) apoio.

O Partido Popular Europeu, como força política mais votada nas eleições europeias, continua, no entanto, na linha da frente para escolher o nome que sucederá a Jean-Claude Juncker na liderança do executivo comunitário.

Os 28 têm assim nove dias pela frente para prosseguir as conversações, com vista a tentar ‘fechar’ um acordo sobre os cargos na cimeira de 30 de junho, sendo que vários líderes, entre os quais a chanceler alemã Angela Merkel, considerada 'peça-chave' no desenlace das conversações, estarão no Japão na próxima semana, para uma cimeira do G20, em Osaca, até à véspera do novo Conselho Europeu.

Os líderes da UE voltam a reunir-se a partir das 09:30 de hoje, a 27, mas para uma Cimeira do Euro, na qual o presidente do Eurogrupo, Mário Centeno, dará conta aos líderes dos progressos feitos no aprofundamento da União Económica e Monetária, e deverá receber novo mandato para prosseguir os trabalhos com vista à criação de um instrumento orçamental para a competitividade e convergência na zona euro.

Portugal está representado na cimeira pelo primeiro-ministro, António Costa – um dos ‘negociadores’ dos Socialistas Europeus, a par do espanhol Pedro Sánchez, para as conversações interpartidárias sobre as nomeações -, que não prestou declarações à saída do Conselho hoje de madrugada, tendo prevista uma conferência de imprensa para o final dos trabalhos, ao início da tarde de hoje.