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Irão avisa que aumentará na "quantidade que quiser" enriquecimento do urânio

Mukhtar Kholdorbekov

Donald Trump pediu ao Irão que seja "cuidadoso" com as "ameaças".

O Presidente do Irão, Hassan Rouhani, avisou que Teerão aumentará o enriquecimento do seu urânio na "quantidade que quiser" a partir de domingo, pressionando as nações europeias a encontrar uma solução para as sanções norte-americanas impostas aos iranianos.

A ameaça de Rouhani, com o aumento do enriquecimento de urânio além dos limites estipulados pelo acordo nuclear de 2015, poderia reduzir a estimativa de um ano necessário para a produção do material suficiente para uma construção de uma arma nuclear, algo que o Irão sempre negou buscar, mas o acordo de 2015 pretendia evitar.

A tensão começou a subir há um ano, depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter retirado unilateralmente os Estados Unidos do acordo nuclear de 2015, parecendo também improvável que a Europa possa oferecer ao Irão uma maneira de vender o seu petróleo no mercado global com as sanções impostas pelos Estados Unidos.

Também hoje Donald Trump pediu ao Irão que não aumente o nível de enriquecimento de urânio e pediu que o país seja "cuidadoso" com as "ameaças", porque estas podem se virar contra os iranianos, em declarações que aumentam ainda mais a tensão entre os dois países.

"O Irão acaba de emitir um novo aviso. Rohani disse que vai enriquecer o urânio na 'quantidade que quiser' se não houver um novo acordo nuclear. Tenham cuidado com as ameaças, Irão. Podem voltar-se contra você e ser pior do que alguém jamais tenha sofrido!", advertiu Trump.

Trump reagiu assim no Twitter às advertências do Presidente iraniano Hasan Rohani de que, se os países europeus que assinaram o acordo nuclear de 2015 não tomarem medidas práticas em relação aos seus compromissos no pacto, o Irão elevará o nível de enriquecimento do seu urânio a partir de 7 de julho.

O Irão reconheceu no início da semana ter excedido o limite de reservas de 300 quilos de urânio enriquecido previsto no acordo internacional Joint Comprehensive Plan of Action (Plano de Ação Conjunto Global, JCPOA na sigla em inglês) assinado em julho de 2015 com as principais potências mundiais, no seu primeiro grande desafio ao acordo e um ano após a retirada unilateral dos Estados Unidos deste plano de ação.

No caso de um problema relacionado com a sua aplicação, o acordo nuclear de 2015 prevê numa primeira fase a formação de uma comissão conjunta que reúna as partes signatárias (Irão, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha).

Em maio de 2018, o Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou a retirada unilateral do seu país do JCPOA. No caso de desacordo nesta comissão para a resolução dos diferendos, a questão pode de seguida ser transferida para o Conselho de Segurança da ONU.

Lusa