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Coach e Versace criticadas na China por identificarem Macau e Hong Kong como países

WU HONG

A atriz Yang Mi terminou a colaboração com a Versace, e a modelo Liu Wen deixou a Coach.

As marcas Coach e Versace tornaram-se os mais recentes alvos de críticas na China, após identificarem como sendo países Macau, Taiwan e Hong Kong, numa altura de protestos contra o Governo central na antiga colónia britânica.

Os internautas chineses denunciaram nas redes sociais uma imagem do portal oficial em inglês da marca de luxo norte-americana Coach, na qual Hong Kong e Taiwan podem ser selecionados entre uma lista de "países".

Isto surge depois de a marca de moda italiana Versace ter pedido desculpa aos seus clientes chineses, este fim de semana, devido a uma peça de roupa em que Macau e Hong Kong surgem identificados como países.

A embaixadora da marca na China, a atriz Yang Mi, terminou a sua colaboração com a Versace, após o incidente.

Yang disse sentir-se "extremamente ultrajada como cidadã da República Popular da China".

Num comunicado difundido no Weibo, o Twitter chinês, a marca italiana admitiu tratar-se de um erro de design e disse que iria destruir as respetivas peças de roupa.

O Diário do Povo, jornal oficial do Partido Comunista, afirmou num artigo de opinião que "o assunto não deveria acabar [om o pedido de desculpas] " porque o erro da Versace foi grave e ocorreu num momento crítico em que Pequim luta contra a independência de Hong Kong".

Hong Kong vive um clima de contestação social desencadeado pela apresentação de uma proposta de alteração à lei da extradição, que permitiria ao Governo e aos tribunais da região administrativa especial a extradição de suspeitos de crimes para jurisdições sem acordos prévios, como é o caso da China continental.

Também a Coach pediu desculpa e disse que já corrigiu o seu portal, acrescentando que "respeita os sentimentos do povo chinês".

"Coach" foi o tópico mais pesquisado no Weibo, esta segunda-feira. A transferência de Hong Kong e Macau para a República Popular da China, em 1997 e 1999, respetivamente, decorreu sob o princípio "um país, dois sistemas", precisamente o que os opositores às alterações da lei em Hong Kong garantem estar agora em causa.

Para as duas regiões administrativas especiais da China foi acordado um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judiciário, sendo o Governo central chinês responsável pelas relações externas e defesa.

A modelo chinesa Liu Wen, que foi embaixadora da Coach, também suspendeu a cooperação com a marca.

"A integridade e a soberania do território chinês são invioláveis!", proclamou.

A Coach e a Versace são as marcas mais recentes a serem visadas pelos internautas e pelas autoridades chinesas, ilustrando as dificuldades que as multinacionais enfrentam para se adaptarem às sensibilidades políticas na China.

No ano passado, os reguladores chineses ameaçaram penalizar várias marcas estrangeiras, incluíndo a marca de têxtil espanhola Zara, ou a companhia aérea norte-americana Delta Air Lines, por identificarem Taiwan ou Hong Kong como países.

Taiwan, a ilha onde se refugiou o antigo governo chinês depois de o Partido Comunista (PCC) tomar o poder no continente, em 1949, assume-se como República da China, mas Pequim considera-a uma província chinesa e não uma entidade política independente.

Lusa