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Porque é que os cigarros eletrónicos estão a preocupar as autoridades dos EUA?

Laszlo Balogh

Especialistas defendem que não está ainda provado que os cigarros eletrónicos são menos prejudiciais para a saúde, não se podendo antever também os seus efeitos a longo prazo. Por isso, não é recomendada a utilização desta alternativa ao tabaco tradicional

O Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA alertou que existem 450 casos de doenças pulmonares no país, além de cinco mortes, que estão a ser investigadas por terem sido potencialmente causadas por cigarros eletrónicos.

Enquanto decorre a investigação, nomeadamente após a última morte na sexta-feira, as autoridades norte-americanas apontam contudo para algumas pistas que estão na base das suspeitas sobre estes produtos que surgem como uma alternativa ao tabaco tradicional.

De acordo com a análise preliminar realizada pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA, a maioria dos consumidores de cigarros eletrónicos diagnosticados com doenças pulmonares recorreram a produtos que continham marijuana, incluindo Tetraidrocanabinol, substância psicoactiva encontrada na canábis, refere o jornal “The Hill”.

Alguns pacientes relataram ter utilizado produtos para cigarros eletrónicos que só continham nicotina, enquanto outros admitiram mesmo que usaram também produtos que continham marijuana.

Em Nova Iorque, as autoridades da Saúde desconfiam que os elevados níveis de Vitamina E (Acetato DL-alfa-tocoferilo) encontrados nos cigarros eletrónicos com produtos que continham canábis podem ser prejudiciais para a saúde quando são inalados. Esta suspeita levará os especialistas a realizarem testes com mais de 100 exemplos de vitamina E, pesticidas, opioides, venenos e outros produtos tóxicos. Possivelmente a conjugação de várias dessas substâncias poderá causar doenças pulmonares, alertam os peritos.

Produtos adulterados no mercado

Outra das questões que está na mira das autoridades norte-americanas é a comercialização de cigarros eletrónicos e dos produtos associados no mercado negro. Apesar de a legislação do país exigir que estes produtos sejam testados, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA acredita que vários consumidores adquirem produtos adulterados e contrafeitos.

O facto de muitos jovens estarem a aderir aos cigarros eletrónicos também está a preocupar as autoridades dos Estados Unidos, que falam mesmo numa epidemia entre os adolescentes norte-americanos. Nos estados norte-americanos de Illinois e Wisconsin, por exemplo, a idade média dos utilizadores de cigarros eletrónicos ronda os 19 anos. Já em Nova Iorque existem pacientes de 15 anos com doenças pulmonares causadas provavelmente pela utilização de cigarros eletrónicos.

Enquanto não está concluída a investigação sobre as consequências dos cigarros eletrónicos, o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA recomenda que não se recorra a esta alternativa ao tabaco tradicional sem os perigos que advêm da combustão.

“Essa é a única forma de prevenir doenças pulmonares. Assim que obtivermos mais informações sobre os cigarros eletrónicos iremos rever as nossas recomendações sobre esses produtos”, afirmou a médica Dana Meaney-Delman.

Efeitos a longo prazo?

Segundo vários especialistas não está ainda provado que os cigarros eletrónicos são menos prejudiciais para a saúde, não se podendo antever também os seus efeitos a longo prazo. Além disso, consideram que não existem estudos robustos que indiquem que este tipo de cigarros possa ser mais eficaz na cessação.

Já a indústria e alguns especialistas defendem que este produto constitui uma alternativa potencialmente menos nocivas face ao tabaco tradicional, mas não foi divulgada ainda uma avaliação consensual.

O Centro dos Produtos de Tabaco para a Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) definiu até 2021 como o prazo para as empresas do sector avaliarem os seus cigarros eletrónicos.

No final de junho, a cidade de São Francisco, no estado norte-americano da Califórnia, anunciou que vai proibir a venda de cigarros eletrónicos já no início do próximo ano. Em causa estão os receios face aos efeitos desta alternativa face ao tabaco tradicional.