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Quase 22 mil nigerianos desapareceram desde o primeiro ataque do Boko Haram em 2009

Chinelos são vistos perto de uma escola em Dapchi, na Nigéria, de onde dezenas de alunas desapareceram após um ataque do Boko Haram.

Afolabi Sotunde

Seis em cada dez destas pessoas eram menores quando desapareceram.

Quase 22 mil nigerianos desapareceram durante a década de atividade do grupo terrorista Boko Haram, o número mais alto de desaparecidos registado pelo Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em todo o mundo, anunciou a organização.

De acordo com esta organização humanitária não governamental, seis em cada dez destas pessoas, ou seja, cerca de 13.200, eram menores quando desapareceram.

"O pior pesadelo de qualquer pai é não saber onde está o seu filho; esta é a trágica realidade para milhares de pais nigerianos, que ficam com uma angústia constante", disse o presidente do CICV, num comunicado divulgado no final de uma visita de cinco dias àquele país africano.

Os desaparecimentos têm várias causas, entre as quais está a separação das famílias quando fogem de um ataque, os sequestros e as detenções, além das que pura e simplesmente desaparecem.

"As pessoas têm o direito a conhecer o destino dos seus entes queridos, e é preciso fazer mais para evitar que, antes de mais, as famílias se separem", vincou o responsável, no final de visitas com o Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, e outros membros do governo e da sociedade civil.

Este organismo humanitário, que trabalha no noroeste do país, a zona mais afetada pelos atos terroristas do Boko Haram, conseguiu resolver 367 casos de separação desde 2013.

Em 26 de julho cumpriu-se uma década desde o primeiro ataque deste grupo, a uma estação de polícia, em retaliação pela detenção de vários líderes do movimento.

Desde então, o Boko Haram já matou mais de 27 mil pessoas, segundo dados das Nações Unidas, e forçou dois milhões de pessoas a viverem desalojadas.

Lusa

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