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Três casos de filhos de padres católicos levados ao Vaticano

Max Rossi/ REUTERS

Os casos são de um queniano de 30 anos e de dois adolescentes, um camaronês de 17 anos e outro de 15 anos.

Um psicoterapeuta irlandês encaminhou nos últimos meses para o Vaticano três casos de pessoas que têm como pai padres católicos, sendo que muitos destes casos ocorrem em África, divulgou hoje a agências de notícias Associated Press (AP).


O Vaticano não publica estatísticas sobre o número de padres que tiveram filhos.


A Igreja Católica, no entanto, admitiu publicamente este ano que isso é um problema, mas só porque foi obrigada a reconhecer que havia elaborado diretrizes internas para lidar com esta situação.


O homem por trás da divulgação destas diretrizes foi Vincent Doyle, o psicoterapeuta irlandês, que também é filho de um padre.


Doyle lançou em 2014 uma página na Internet, a Coping International, para ajudar outros filhos de padres.


Os casos enviados para o Vaticano são de um queniano de 30 anos, Gerald Erebon, e de dois adolescentes, um camaronês de 17 anos e outro de 15 anos nascido no Reino Unido.


Segundo a família da mãe de Gerald Erebon, um padre missionário italiano engravidou a queniana quando tinha apenas 16 anos.


No total, Doyle acredita que os filhos de padres são na casa dos milhares.


Vincent Doyle estima que cerca de 5% desses nascimentos são resultado de sexo entre padres e menores, embora disponha apenas de alguns dados.


O psicoterapeuta irlandês, que tem sido um "espinho" para o Vaticano, está a tentar sensibilizar os meios de comunicação para a situação dessas crianças, que frequentemente sofrem emocional e psicologicamente.


Doyle também começou a falar pelas mães das crianças, algumas das quais eram muito jovens quando ficaram grávidas.


O reverendo Stephane Joulain, especialista em prevenção de abusos sexuais de clérigos em África, disse que a maioria dos casos de abuso sexual de menores na África envolve padres missionários estrangeiros.


Entretanto, também disse que há um problema significativo de padres africanos locais que têm filhos, inclusive de mães jovens, por causa de normas culturais.


"Você torna-se homem apenas quando é pai de filhos", referiu o religioso.


Muitos padres citam essa pressão da família ou da tribo para explicar por que tiveram filhos.


A violação dos votos de celibato entre o clero africano não é segredo para o Vaticano. Quase todas as vezes que um grupo de bispos africanos visitava o Vaticano durante o papado de Bento XVI, o papa lembrava-os da necessidade de treinar os padres para "abraçar o dom do celibato".

Lusa