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Ofensiva turca na Síria continua até que "objetivos sejam atingidos", garante Erdogan

Khalil Ashawi / Reuters

EUA e UE ameaçam com sanções, Londres suspende exportação de armas para a Turquia.

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, afirmou hoje que a ofensiva turca no norte da Síria continuará até que os seus "objetivos sejam atingidos", apesar dos apelos de Washington e de Bruxelas para que a invasão termine.

"Vamos prosseguir a nossa luta (...) até que os nossos objetivos sejam atingidos", declarou Erdogan, num discurso a partir de Baku transmitido pela televisão.

As declarações de Erdogan ocorrem um dia depois de um firme aviso do seu homólogo norte-americano, Donald Trump, que endureceu o tom face à Turquia, pedindo-lhe para acabar com a sua operação militar na Síria, lançada há uma semana, e anunciando uma série de sanções.

A ofensiva turca visa afastar do nordeste da Síria as forças curdas das Unidades de Proteção Popular (YPG), aliadas do ocidente na luta contra os jihadistas do grupo Daesh, mas consideradas como terroristas por Ancara, devido às ligações com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, proibido na Turquia e classificado de terrorista também pelos Estados Unidos e pela União Europeia).

"Até esta manhã libertámos uma zona de perto de 1.000 quilómetros quadrados das mãos da organização separatista terrorista", disse Erdogan, referindo-se às YPG.

"Vamos proteger rapidamente a região que vai de Minbej (noroeste da Síria) até à nossa fronteira com o Iraque".

Segundo o Presidente turco, aquela zona deverá acolher "inicialmente um milhão e depois dois milhões de refugiados sírios", entre os mais de 3,5 milhões que se refugiaram na Turquia desde o início do conflito na Síria em 2011.

Desde o início da ofensiva turca, pelo menos 104 combatentes curdos e cerca de 60 civis morreram na sequência dos confrontos, segundo o mais recente balanço do Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

A ONU calcula que a operação já provocou cerca de 160 mil deslocados.

Lusa