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Barcelona volta ao normal após terceira noite de violência

Jon Nazca

Serviços de limpeza da autarquia limpam os vestígios da "batalha" entre grupos de independentistas violentos e a polícia.

Jon Nazca

A capital da Catalunha voltou esta manhã ao normal com os serviços de limpeza da autarquia a apagar os últimos vestígios da "batalha" entre grupos de independentistas violentos e a polícia ocorrida na noite de quarta-feira.


A circulação no centro de Barcelona, nomeadamente em redor da conhecida Rambla, fazia-se com toda a normalidade, mas em várias ruas em redor da Praça de Tetuan eram ainda bem visíveis os sinais dos incêndios e desacatos.


"O movimento independentista é formado por uma maioria de pessoas pacíficas que não estão de todo de acordo com a violência de ontem", assegurou à agência Lusa Jordi, de 36 anos, que levava os dois filhos à escola de autocarro.

Jon Nazca

Sem esconder a sua simpatia pelo movimento separatista, Jordi explicou que a violência da noite anterior tinha sido provocada por "jovens radicais sem paciência para esperar por uma transição pacífica para a República catalã".


Uma rua próxima do edifício da Administração Interna do Governo regional da Catalunha ainda estava vedada ao trânsito, com os serviços de limpeza a prepararem-se para levar cinco automóveis totalmente destruídos pelo fogo.


Eva, de 40 anos, confirmava que "uma minoria de jovens, como há em qualquer parte do mundo", eram os responsáveis pelos desacatos que a maioria dos catalães, separatistas ou não, condenava.


"Pessoas mal-educadas há em todo o lado e não podemos confundir este comportamento com a atitude diária da maioria dos catalães", insistiu Eva ao mesmo tempo que fotografava os destroços dos automóveis.


Esta catalã estava no exterior da loja de pronto a vestir onde trabalha, à espera da chegada do responsável que teria de decidir se hoje iriam abrir ao público.


"Acho que sim. Tivemos o azar de estar exatamente em frente do local onde incendiaram estes automóveis, mas a fachada não está muito danificada. Daqui a uma hora a rua está limpa", disse Eva.


Algumas ruas mais à frente, os turistas começavam a sair dos hotéis para visitar a cidade, como se nada tivesse acontecido.


Mesmo assim, segundo um rececionista de hotel, "muitas pessoas" anularam a sua deslocação a Barcelona desde o início da semana.


Grupos radicais separatistas lançaram na noite de quarta-feira, pelo terceiro dia consecutivo, ações violentas contra a polícia catalã, transformando o centro de Barcelona num campo de batalha com várias avenidas cortadas e fogueiras em vários locais.


A estratégia parece ser a mesma da que se verificou nos dias anteriores: uma organização misteriosa autodenominada "Tsunami democrático" convoca manifestações pacíficas a partir do fim da tarde, mas no início da noite uma minoria formada por jovens encapuçados lança a confusão.


Após uma dessas concentrações pacíficas, a polícia enfrentou na quarta-feira, a partir das 22:00 (21:00 em Lisboa), grupos radicais que tinham acendido várias fogueiras e feito barricadas com contentores que depois incendiavam e empurravam contra as forças da ordem.


Noutros locais, os separatistas tinham arrancado tijolos do chão que arremessavam contra a polícia.


Os encapuçados, alguns com capacetes, gritavam palavras de ordem como "liberdade para os presos políticos" e chamavam "fascistas" e "polícias de ocupação" às autoridades.

Jon Nazca

Os movimentos de protesto começaram na segunda-feira, depois ser conhecida a sentença contra os principais políticos catalães responsáveis pela tentativa de independência em outubro de 2017.


Os juízes decidiram condenar nove deles a penas até 13 anos de prisão por delitos de sedição e peculato.


Depois do anúncio da sentença, os independentistas começaram a fazer cortes de estradas e de vias de caminho-de-ferro um pouco por toda a Catalunha.


Na noite de segunda-feira houve manifestações em redor do aeroporto internacional de Barcelona seguidas de ações de grupo violentos e na noite seguinte a mobilização mudou-se para o centro de Barcelona, onde voltou a haver distúrbios.


Lusa

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