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Moedas compara Juncker a Marcelo e diz que Portugal deveria estar-lhe agradecido

Eric Vidal

"Grande privilégio" por ter trabalhado com um homem como Jean-Claude Juncker, que é "um bocadinho um dos últimos visionários da Europa".

O comissário europeu Carlos Moedas comparou hoje o presidente da Comissão Europeia a Marcelo Rebelo de Sousa, por ambos gostaram "genuinamente" de pessoas, e recordou o papel que Jean-Claude Juncker desempenhou para evitar sanções "injustificadas" a Portugal.

No dia em que o presidente do executivo comunitário se despediu do Parlamento Europeu, num momento "muito emocional e bonito", o comissário da Investigação, Ciência e Inovação assumiu o "grande privilégio" por ter trabalhado com um homem como Jean-Claude Juncker, que é "um bocadinho um dos últimos visionários da Europa".

"Sinto que chegámos ao ponto em que a geração dele vai-se reformar e vem uma nova geração. Sinto realmente um privilégio enorme por ter trabalhado durante estes cinco anos com um homem com o humanismo que ele tem, a pessoa que ele é. Foi realmente muito importante na minha vida", admitiu.

Para Carlos Moedas, "de certa forma", o presidente da Comissão Europeia faz parte de um grupo de políticos da mesma linha do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, "que genuinamente gosta de pessoas".

"Para ele, a política é feita das relações pessoais, da amizade, e isso é muito genuíno", completou.Ao ouvir hoje o político luxemburguês proferir o seu último discurso no hemiciclo de Estrasburgo (França), o comissário português lembrou-se de momentos vividos ao lado de Juncker, como aquele em que os dois estiveram sentados no colégio de comissários quando se decidiu a não aplicação de sanções a Portugal e Espanha.

"Só eu e ele é que sabemos a linguagem codificada que tivemos nesse dia e, portanto, Portugal, no fundo, deveria estar muito agradecido e deve-lhe muito", vincou.

Moedas referia-se a 27 de julho de 2016, dia em que a Comissão Europeia decidiu recomendar a suspensão da multa a Portugal e a Espanha no quadro do processo de sanções devido ao défice excessivo, tendo em conta os argumentos apresentados pelos governos nacionais, os esforços de reformas levados a cabo por ambos os países, os desafios económicos que os dois enfrentavam e os compromissos assumidos por Lisboa e Madrid relativamente ao cumprimento das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento.

"Nunca vi ninguém gerir uma reunião como ele o faz e a grande qualidade de Jean-Claude Juncker é realmente a experiência de ter começado na vida política aos 27 anos. Quando está numa reunião sabe exatamente como começa, para onde vai e o resultado que quer atingir. Nesse dia das potenciais e injustificadas sanções a Portugal e Espanha, ele sabia exatamente qual era a coreografia que queria fazer para chegar ao resultado de não haver sanções", confidenciou.

O antigo secretário de Estado adjunto do Governo de Pedro Passos Coelho recordou que o presidente do executivo orquestrou a reunião "tão bem" que o resultado só poderia ser "o que ele queria".

"Isso é uma arte, uma arte de fazer política no dia a dia, que ele tem de uma maneira única. É uma obra de arte política", elogiou.

Lusa