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Papandreou defende importância de tecnologia que capacita refugiados

ANTONIO COTRIM

George Papandreou, atual deputado no Parlamento helénico, falou num dos palcos da cimeira tecnológica Web Summit, a decorrer em Lisboa.

O antigo primeiro-ministro grego, George Papandreou, defendeu esta terça-feira a importância da tecnologia na capacitação dos milhões de refugiados existentes no mundo ao permitir, nomeadamente, o acesso à informação, alertando, porém, que as vulnerabilidades destas pessoas não podem ser esquecidas.

Sob o mote “Proteger os vulneráveis: Como a tecnologia pode ajudar os refugiados”, o antigo chefe do Governo grego (2009-2011) destacou diante de uma plateia cheia a importância das tecnologias na capacitação e na valorização dos migrantes e dos refugiados, uma vez que estas podem possibilitar, entre outros aspetos, o acesso à informação, a serviços e a possíveis perspetivas de futuro (educação, formação e emprego).

Um dos primeiros aspetos que mostra a importância da tecnologia na vida de um migrante ou um refugiado é, frisou Papandreou, a possibilidade de contactar com a sua família, dando o exemplo dos muitos milhares de pessoas que atravessam o Mediterrâneo à procura de uma entrada para a Europa.

Segundo George Papandreou, mais de 90% destas pessoas têm um telemóvel, muitos deles com acesso à Internet e, consequentemente, com acesso às redes sociais, o que possibilita contactar os mais próximos, mas também denunciar, por exemplo, situações de abuso.

“A tecnologia é poder (…) mas a tecnologia pode ter um duplo sentido. Pode capacitar um refugiado, mas não podemos esquecer que estas pessoas têm um nível de grande vulnerabilidade”, afirmou o político grego, referindo casos em que as redes sociais foram utilizadas para detetar e perseguir refugiados ou para propagar um discurso anti-refugiados.

Lembrando que ele próprio e a sua família também foram no passado refugiados, “e como tal existe uma ligação muito especial a este tema”, George Papandreou defendeu que os líderes e os Governos mundiais devem resistir à tentação de identificar os refugiados como um problema.

“Sejamos claros e honestos. Estas pessoas são seres humanos (…). A fonte do problema é a existência de regimes ditatoriais, de conflitos civis”, disse o político helénico, finalizando com a mensagem: “Estas pessoas [refugiados] podem ser um catalisador de mudança”.

Em 2018, o número de pessoas forçadas a fugir das respetivas casas em todo o mundo, devido a conflitos civis, violência, alterações climáticas ou questões relacionadas com a respetiva sexualidade, ultrapassou os 70 milhões, o que aconteceu pela primeira vez desde que existem registos relacionados com este fenómeno.

Deste número global, 25,9 milhões são refugiados e 3,5 milhões são requerentes de asilo.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit, considerada um dos maiores eventos do setor, nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa, permanecendo na capital portuguesa até 2028.

A edição deste ano realiza-se até quinta-feira no Altice Arena e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Segundo a organização, nesta quarta edição do evento em Portugal, participam mais de 70 mil pessoas de 163 países.

Até quinta-feira, e de acordo com dados da organização, mais de 1.200 oradores irão passar pelos 22 palcos distribuídos pelo recinto.

Lusa