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"Trump é obcecado pela sua reeleição ao ponto de fazer pressão sobre a Ucrânia"

George Kent e William Taylor

JOSHUA ROBERTS / POOL

Primeiras audições públicas de dois diplomatas norte-americanos perante o Congresso.

William Taylor, embaixador dos EUA na Ucrânia e uma das duas testemunhas ouvidas no processo de destituição de Donald Trump, denunciou ontem no Congresso norte-americano que Trump é tão obcecado pelos seus interesses políticos pessoais que está mais preocupado em investigar o rival político Joe Biden do que com o destino da Ucrânia.

Taylor disse que um de seus assessores ouviu Gordon Sondland, embaixador dos EUA na UE, a conversar ao telefone com Trump com Trump ao telefone a 26 de julho.

“Após a ligação telefônica com o Presidente Trump, o elemento da minha equipa perguntou ao embaixador Sondland o que o Presidente Trump pensava sobre a Ucrânia. O embaixador Sondland respondeu que Trump se preocupava mais com as investigações a Biden, para as quais [o advogado pessoal de Trump, Rudy] Giuliani estava a fazer pressão".

William Taylor afirmou ter percebido a existência de uma condição de troca essencial (quid pro quo) entre o fornecimento de ajuda financeira ao exército ucraniano e a instrução de investigações ao filho de Joe Biden.

Este quid pro quo é o argumento utilizado pelos Democratas na Câmara de Representantes para pedir a destituição do Presidente, considerando que essa pressão se adequa ao quadro de "crimes e delitos graves" que a Constituição considera serem razão suficiente para o processo de impeachment.

Três funcionários do Departamento de Estado ouvidos esta semana

A Câmara de Representantes aprovou no início de novembro a fase pública do inquérito para a destituição de Donald Trump, acusado de abuso de poder no exercício do cargo, por ter pressionado o Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, a investigar as atividades junto de uma empresa ucraniana do filho de Joe Biden, ex-vice-Presidente e atual adversário político do Presidente norte-americano.

Três funcionários do Departamento de Estado testemunharão nas primeiras audiências públicas do inquérito nos dias 13 - William Taylor, o principal diplomata norte-americano na Ucrânia, George Kent, diplomata de carreira - e 15 - Marie Yovanovitch, ex-embaixadora dos EUA na Ucrânia, demitida por Donald Trump no passado mês de maio.

Estas três testemunhas já tinham falado em privado com os membros da comissão de inquérito, mas comparecerão agora para sessões públicas, para relatar o seu conhecimento sobre as relações diplomáticas entre os EUA e a Ucrânia e sobre as alegadas pressões de Donald Trump sobre o Governo ucraniano.