Só nas ilhas do mar Egeu, em campos improvisados sem quaisquer condições de segurança e higiene, vivem mais de 40 mil pessoas.
O frio e a chuva tornam a situação ainda mais preocupante.
Vieram com as famílias, em busca de uma vida melhor. Com promessas de trabalho e de uma casa e uma enorme dívida aos traficantes que os ajudaram a atravessar várias fronteiras e o Mediterrâneo.
Mas, para mais de 100 mil migrantes, a viagem parou na Grécia.
E, metade destes, nem ao continente chegaram.
Estão em campos improvisados nas ilhas do mar Egeu.
Alguns, há vários meses.
Com a chegada do inverno, que traz chuva, frio e até mesmo neve, mais de 40 mil pessoas vão ter de viver sem quaisquer condições de segurança e higiene.
Em tendas amontoadas, que muitas vezes não passam de uns pedaços de plástico em cima de umas estacas.
Com lixeiras a céu aberto, mesmo ao lado.
À mercê das temperaturas baixas e da lama que se alastra pelos antigos olivais onde as autoridades gregas montaram estes centros de acolhimento.
Que deviam receber um décimo dos migrantes que ali vivem e onde, todos os dias, continua a chegar gente vinda, sobretudo, da India, do Bangladesh, do Paquistão e do Afeganistão.
A Grécia garante que quer acelerar os processos de legalização, ou de deportação, até ao final do próximo ano, e que já está a transferir muitos destes migrantes para o continente.
As organizações não governamentais dizem que estes campos têm de ser fechados e as pessoas levadas para locais mais seguros. Mas acusam o executivo de Atenas de estar a enviar os refugiados para localidades remotas, longe das principais cidades, onde dificilmente encontrarão oportunidades de trabalho e de onde, muito provavelmente, fugirão assim que puderem, voltando à condição de ilegais.
