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Turquia detém 181 pessoas ligadas à tentativa de golpe de 2016

Detidos são acusados de fomentar o golpe falhado de julho de 2016.

Turquia detém 181 pessoas ligadas à tentativa de golpe de 2016
Murad Sezer

As autoridades turcas detiveram 181 pessoas hoje como parte de investigações contra os partidários do movimento do religioso Fethullah Gülen, acusado de fomentar o golpe falhado de julho de 2016, segundo o gabinete do procurador de Ancara.

As prisões ocorreram depois de o Ministério Público ter emitido mandados de detenção para 260 pessoas suspeitas de usar o ByLock, uma aplicação de mensagens encriptadas que Ancara considera o meio de comunicação privilegiado dos "golpistas" e que serviu como prova em vários processos relacionados ao golpe falhado.

Dezoito outros mandados de detenção, incluindo dez contra médicos, foram emitidos como parte de uma segunda investigação sobre o golpe, disse a fonte.Entre os suspeitos, 171 foram presos em Ancara e dez em outras províncias.

Os outros suspeitos sujeitos a mandados de prisão ainda estão a ser procurados.Além disso, o principal partido da oposição na Turquia, o CHP, anunciou que um autarca do partido num distrito da cidade de Izmir (oeste), Burak Oguz, havia sido detido por supostas ligações com o movimento de Fethullah Gülen.

"Condenamos a detenção de um funcionário eleito sob o pretexto da lei. Apoiamos o nosso autarca", reagiu o chefe do CHP na província de Izmir, Deniz Yucel, na rede social Twitter.

O religioso Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos há vinte anos, lidera um movimento acusado por Ancara de ter-se infiltrado em instituições turcas para derrubar o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan.

Segundo Ancara, Gülen é o cérebro da tentativa de golpe que ocorreu em julho de 2016, mas o religioso nega a acusação. Desde o golpe falhado, as autoridades perseguem incansavelmente os seus apoiantes, em expurgos de escala sem precedentes na história moderna turca.

Mais de 50.000 pessoas foram detidas e mais de 140.000 demitidas ou suspensas de suas funções. As ondas de prisões continuam em ritmo acelerado, mais de três anos após a tentativa de golpe.