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Estrela supergigante vermelha prestes a explodir?

ESA

Betelgeuse, uma estrela vizinha da nossa galáxia, surpreende novamente os investigadores com o seu comportamento estranho.

A constelação Orion é um dos desenhos mais conhecidos no céu noturno, visível em todo o mundo. Mas, se olhou recentemente para Orion e pensou que algo se passava, não está errado: a supergigante vermelha Betelgeuse, que compõe o "ombro" do caçador, está cada vez menos brilhante.

Normalmente, Betelgeuse esteve sempre entre as dez estrelas mais brilhantes. Contudo, a supergigante vermelha começou a escurecer em outubro e, em meados de dezembro, já tinha descido mais de dez lugares na lista das estrelas mais brilhantes do céu noturno, segundo Edward Guinan, da Universidade Villanova, no The Astronomer's Telegram.

"Agora o desenho de Orion é notoriamente diferente com a Betelgeuse a desvanecer", escreveu o investigador. À CNN revelou ainda que a estrela está 2,5 vezes mais fraca do que o normal.

O comportamento variável da estrela já não é novidade para os cientistas, mas só agora houve a perceção de que o seu tamanho está a diminuir de uma forma tão agressiva, que poderá explodir e morrer. Isto fará com que, durante alguns dias, o seu brilho seja superior ao de uma lua cheia.

O que se sabe de Betelgeuse?

Betelgeuse é uma estrela que fica a 770 anos-luz da Terra e pode ser considerada uma estrela vizinha da nossa galáxia. É a candidata a supernova - uma fase que ocorre no final de vida de uma estrela, caraterizada por uma explosão muito brilhante - mais provável e mais próxima do nosso planeta.

Tem cerca de nove milhões de anos e tem 20 vezes a massa do Sol. É uma estrela variável, podendo escurecer e clarear com alguma frequência, em ciclos que podem durar 420 dias. Contudo, a pergunta que se impõe é: porque é que a comunidade científica considera que a estrela poderá explodir em breve?

A supergigante vermelha está num período normal de desvanecimento, mas que está a acontecer de forma drástica em comparação a anos anteriores. E, segundo vários cientistas, as supergigantes perdem massa de forma drástica no fim da suas vidas. De acordo com os modelos matemáticos, a estrela deve voltar a clarear em janeiro, mas, segundo o investigador Edward Guinan, ela seguirá as suas próprias regras.

"Eu acho que ela vai recuperar, mas é divertido ver as estrelas mudarem", disse. Contudo, "se continuar a diminuir, todas as nossas apostas serão canceladas", explica.

O comportamento estranho da supergigante vermelha

Em 2009, o astrónomo Charles Townes disse à CNN que observou Betelgeuse a encolher 15% desde os meados dos anos 90. Naquela época, Townes e seus colegas estavam intrigados porque as estrelas geralmente ficam mais brilhantes à medida que diminuem, o que não estava a acontecer com Betelgeuse, que ia escurecendo.