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Congresso dos EUA aprova resolução para limitar ação militar de Trump

Joshua Roberts

Medida que insta o Presidente norte-americano a "acabar" com todas as operações militares contra Teerão na ausência da aprovação do Congresso já foi aprovada pela Câmara dos Representantes, mas terá agora de ser aprovada pelo Senado, onde a maioria é republicana.

J. Scott Applewhite

Jonathan Ernst

A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, controlada pelos democratas, aprovou hoje uma resolução para limitar o poder do Presidente, Donald Trump, de iniciar operações militares contra o Irão, mas a medida ainda terá de ser aprovada pelo Senado.

De acordo com agência France-Presse, a resolução que insta o chefe de Estado norte-americano a "acabar" com todas as operações militares contra Teerão na ausência da aprovação do Congresso foi aprovada com 224 votos a favor, três deles de membros republicanos, e 194 contra.

No entanto, a medida poderá não passar de um ato simbólico, uma vez que é mais difícil a sua aprovação no Senado dos EUA, controlado pelos republicanos que, na maioria, apoiam Donald Trump.

A tensão entre Washington e Teerão aumentou depois do ataque com mísseis lançados de um 'drone' - veículo aéreo não tripulado --, na sexta-feira, em Bagdad (capital do Iraque), que matou o general iraniano Qassem Soleimani, comandante da força de elite iraniana Al-Quds, e o 'número dois' da coligação de grupos paramilitares pró-iranianos no Iraque, Abu Mehdi al-Muhandis, conhecida como Mobilização Popular (Hachd al-Chaabi), além de outras oito pessoas.

O Irão retaliou na madrugada de quarta-feira lançando 22 mísseis contra duas bases da coligação internacional anti-'jihadista', liderada pelos Estados Unidos, em Ain al-Assad e Erbil, no Iraque.

A televisão estatal iraniana referiu que aquela operação militar foi designada "Mártir Soleimani" e que matou "pelo menos 80 militares norte-americanos", mas Donald Trump negou a existência de baixas.

Algumas horas depois deste ataque, um avião comercial Boeing 737 da companhia aérea de Ukranian International Airlines (UIA) despenhou-se dois minutos após ter descolado de Teerão em direção a Kiev, capital da Ucrânia, provocando a morte dos 176 ocupantes, entre passageiros e tripulação.

Os primeiros-ministros do Canadá e Reino Unido, Justin Trudeau e Boris Johnson, respetivamente, anunciaram ter provas de que a aeronave foi derrubada por um míssil iraniano, mas Teerão nega todas as acusações.