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Bento XVI pede que retirem nome de livro controverso

Victor R. Caivano

O caso está a ser classificado como uma tentativa de manipulação por parte da fação conservadora da Igreja.

O Papa Emérito alemão Bento XVI pediu que o seu nome fosse retirado de um livro polémico, disse esta terça-feira o seu secretário particular Georg Gaenswein, citado pela agência noticiosa italiana ANSA.

Este caso está a ser classificado como uma tentativa de manipular Bento XVI, que completará 93 anos em abril, através da área mais conservadora da Igreja, a enfrentar o Papa Francisco sobre a questão do celibato dos padres.

"Posso confirmar que esta manhã, por indicação do Papa emérito, pedi ao cardeal Robert Sarah", coautor da obra, "que contactasse os editores do livro pedindo que removessem o nome de Bento XVI", disse Dom Gaenswein.

O secretário de Bento XVI disse que o Papa Emérito "nunca aprovou nenhum projeto de livro com assinatura dupla" com o cardeal Robert Sarah.

Gaenswein explicou numa declaração à agência noticiosa espanhola EFE que o Papa Emérito sabia que o cardeal estava a preparar um livro e lhe enviara o seu texto sobre o sacerdócio, autorizando-o a usá-lo, mas "não tinha aprovado nenhum livro com assinatura dupla e não tinha visto a capa".

O cardeal Robert Sarah, prefeito da Congregação para o Culto Divino, publicou esta terça-feira uma declaração oficial na qual descreveu com dados e datas que o Papa Emérito conhecia a existência do volume, conteúdo e data da publicação.

A polémica surgiu no domingo quando foi anunciado o lançamento de um novo livro assinado por Bento XVI e Robert Sarah, um dos principais líderes da fação conservadora, que tem uma posição critica relativamente a Francisco.

O volume, cuja primeira publicação estava prevista ser publicada na quarta-feira em francês pela editora Fayard, intitulada "Do mais profundo dos nossos corações", deveria ocorrer enquanto o Papa termina a sua exortação apostólica após o Sínodo da Amazónia.

Para o arcebispo Gaenswein, atual prefeito da Casa Pontifícia, "foi um mal-entendido sem questionar a boa fé do cardeal Sarah".