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Cardeal francês absolvido de omissão de abusos a crianças

ALEX MARTIN

Philippe Barbarin foi absolvido por um tribunal de recurso, que não deu explicações sobre a decisão

O cardeal e arcebispo de Lyon Philippe Barbarin, condenado em primeira instância a seis meses de prisão com pena suspensa, por ocultação de casos de pedofilia na sua diocese, foi esta quinta-feira absolvido por um tribunal de recurso.

O referido tribunal da cidade de Lyon não deu explicações sobre a sua decisão.

O advogado do arcebispo, André Soulier, manifestou-se esta quinta-feira "mais do que satisfeito" com a absolvição.

Philippe Barbarin tentou renunciar após ter sido condenado em primeira instância em março de 2019, com pena suspensa, por não ter denunciado um padre pedófilo à polícia.

Contudo, o Papa Francisco recusou-se a aceitar a renúncia até que o recurso da decisão fosse apreciado por um tribunal superior ou a condenação transitasse em julgado.

Barbarin interpôs recurso da condenação alegando não conseguir "ver claramente do que era culpado".

O caso que levou à condenação do cardeal envolve o padre francês Bernard Preynat, que admitiu ter abusado de escuteiros entre as décadas de 1970 e 1990.

Vários responsáveis da Igreja foram acusados de encobrir Bernard Preynat por muitos anos, mas algumas das situações tinham o prazo de procedimento criminal prescrito e apenas Barbarin foi condenado.

O processo contra Barbarin resulta de uma discussão ocorrida em 2014 com Alexandre Hezez, que contou ao cardeal sobre a violência sexual que sofreu na década de 1980 por Preynat nos campos de escuteiros.

Hezez acrescentou que o padre não deveria mais dirigir uma paróquia.

Na sentença condenatória em março, o tribunal de Lyon concluiu que Barbarin "para evitar escândalos causados pelos múltiplos abusos sexuais cometidos por um padre (...) preferia correr o risco de impedir a descoberta de muitas vítimas de abuso sexual pelo sistema judicial".

Barbarin alegou na audiência de recurso que seguiu as instruções do Vaticano após a discussão de 2014 com Hezez, sugerindo que não poderia ter feito mais.

Preynat foi transferido para outra paróquia, mas continuou a trabalhar com crianças até à sua reforma em 2015.

Acredita-se que Preynat tenha abusado de pelo menos 85 crianças.

O padre será julgado em Lyon em janeiro sob a acusação de agressão sexual a menores.

Em julho, a Igreja Católica da França declarou-o culpado de abusar sexualmente de vários escuteiros ao longo de vários anos, refletindo a tendência crescente da Igreja em reconhecer os casos de abuso sexual de crianças por padres e outros dignitários religiosos.

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