A construção de campos fechados em várias ilhas gregas no Mar Egeu, com vista a controlar a circulação de requerentes de asilo, começara em março, anunciou esta segunda-feira o ministro das Migrações, Notis Mitarachi.
Esses campos, que podem acolher 20.000 requerentes de asilo por um período máximo de três meses, estarão localizados nas ilhas de Lesbos, Samos, Chios, Cós e Leros, indicou o ministro, em entrevista à estação de rádio grega Skai, acrescentando que os campos devem estar operacionais ainda este verão.
Até ao momento, os requerentes de asilo podiam entrar e sair do campo e estavam livres para circular nas ilhas.
Após incidentes violentos entre migrantes, mas também face à crescente exasperação das populações locais nos últimos meses, o Governo conservador do primeiro-ministro grego, Kyriákos Mitsotákis, decidiu controlar ainda mais as recém-chegadas às ilhas Egeias.
"Aqueles que permanecem nesses centros fechados terão direito a saídas controladas, com um cartão e por um tempo limitado, e as estruturas permanecerão fechadas à noite", explicou esta segunda-feira o porta-voz do Governo grego, Stelios Petsas.
Face ao aumento das chegadas de migrantes, o Governo de Mitsotákis, que chegou ao poder no verão passado, decidiu "acelerar" a análise dos procedimentos de asilo, para enviar os requerentes não elegíveis ou rejeitados ao seu país de origem ou à vizinha Turquia.
"Queremos aumentar os retornos para a Turquia e alcançar cerca de 200 regressos por semana", realçou o ministro das Migrações, Notis Mitarachi.
Mais de 36.000 requerentes de asilo encontram-se amontoados em campos com condições insalubres nas ilhas gregas do Mar Egeu. A capacidade máxima deste campo é de apenas 6.200 pessoas.
Terrenos e propriedades pertencentes a autoridades locais ou militares serão apreendidos para a construção desses centros fechados.
Nos últimos meses, manifestações de habitantes e autoridades locais contra a construção desses campos multiplicaram-se nas ilhas do Mar Egeu.
Os requerentes de asilo, exaustos das condições de vida insalubres, também protestaram no início de fevereiro, com registo de confrontos entre migrantes e as forças antimotim.

