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Rara doença infantil descoberta em fóssil de dinossauro com 66 milhões de anos

Universidade de Telavive

Um raro tipo de tumor benigno, que ainda hoje afeta humanos e sobretudo crianças, foi agora descoberto na cauda de um dinossauro de bico de pato, que habitou na terra em grandes manadas entre 66 a 80 milhões de anos atrás.

Fonte: Universidade de Telavive

Fonte: Universidade de Telavive

Os dinossauros - como os humanos - adoeceram e algumas dessas mazelas deixaram marcas nas ossadas, que, pelos vistos, podem perdurar dezenas de milhões de anos.

Neste caso entre 66 a 80 milhões de anos - o tempo em que este tipo de Hadrosauro, ou dinossauro de bico de pato, terá habitado na terra em grandes manadas.

Agora e segundo um estudo publicado esta semana na revista Scientific Reports, foram encontrados vestígios de LCH, um raro tipo de tumor benigno que ainda hoje afeta humanos e em particular crianças, na cauda deste dinossauro, desenterrado num parque do Canadá, o Dinosaur Provincial Park, no sul de Alberta.

Como é que se conseguem descobrir vestígios de doenças em ossadas com milhões de anos?

Os próprios cientistas reconhecem que não é fácil diagnosticar doenças em fósseis, ossadas ou esqueletos, mas as novas ferramentas da medicina forense permitem avanços científicos notáveis.

Foi o que aconteceu na Universidade de Telavive, em Israel, onde os investigadores detetaram cavidades fora do comum na cauda deste Hadrosauro, semelhantes às deixadas nos ossos dos humanos que já sofreram deste tipo de doença rara.

Os especialistas recorreram as tomografias avançadas de alta resolução para analisar as ossadas do dinaussauro, depois comparadas com os dos humanos.

"Novas tecnologias, como a tomografia computadorizada, permitiram-nos examinar a estrutura da lesão do dinossauro e reconstruir o crescimento excessivo, bem como os vasos sanguíneos que o alimentavam", disse a Dra. Hila May, chefe da Laboratório de Bio história e Medicina Evolutiva da Faculdade de Medicina Sackler da Universidade de Telavive à CNN.

Apesar de muitas doenças semelhantes deixarem vestígios diferentes nos ossos, neste caso as semelhanças são evidentes.

"As análises micro e macro confirmaram que era, de facto, LCH. Esta é a primeira vez que essa doença foi identificada em um dinossauro", afirmou May.

Nos humanos a LCH é muitas vezes descrita como uma forma rara de cancro, mas, mesmo entre a comunidade médica e científica existem dúvidas sobre se é de facto uma doença oncológica porque, em alguns casos, passa espontaneamente.

"A maioria dos tumores relacionados à LCH, que podem ser muito dolorosos, aparecem repentinamente nos ossos de crianças de 2 a 10 anos. Felizmente, esses tumores desaparecem sem intervenção em muitos casos", disse ela.

A principal diferença que salta à vista está no tamanho dos pacientes. Os Hadrosauros teriam cerca de 10 metros de altura e pesariam várias toneladas.

"Estudar doenças em fósseis, independente da espécie, é uma tarefa complicada e, ainda mais em animais extintos, pois não temos uma referência viva", explicou May.

Will Kincaid

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