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Polícia prende ex-assessor do filho de Bolsonaro investigado em esquema ilícito

Amanda Perobelli

Fabrício Queiroz foi detido na cidade de Atibaia, localizada no interior do estado de São Paulo.

A polícia prendeu um ex-assessor de Flávio Bolsonaro, filho do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, numa investigação sobre transações financeiras e desvio de dinheiro público.

O suspeito estava num imóvel que pertence ao advogado Frederick Wasseff, que trabalha para a família Bolsonaro. Fabrício Queiroz foi levado para uma unidade da Polícia Civil, na cidade de São Paulo.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou em comunicado que a prisão de Fabrício Queiroz decorreu no quadro da Operação Anjo, realizada em parceria com autoridades de São Paulo.

Segundo o MPRJ, as ações estão relacionadas com um inquérito que investiga um esquema ilícito em que servidores do gabinete de Flávio Bolsonaro terão sido coagidos a devolver parte dos seus salários ao filho do Presidente brasileiro quando ele ocupava o cargo de deputado estadual (2003 a 2019), na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Esta prática ilícita é conhecida no Brasil pelo nome de 'rachadinha'. Queiroz é apontado como braço direito de Flávio Bolsonaro e pessoa responsável por arrecadar o dinheiro junto aos funcionários no gabinete na Alerj, segundo as investigações.

Além da prisão, policias civis e promotores realizaram buscas no imóvel em que Fabrício Queiroz foi encontrado e em outros endereços no Rio de Janeiro.

O inquérito começou após um relatório do antigo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão de controlo financeiro atualmente ligado ao Banco Central do país, detetar no movimentações financeiras suspeitas nas contas bancárias de Fabrício Queiroz, no final de 2018.

As movimentações de dinheiro acima dos rendimentos do ex-assessor chamaram atenção também porque aconteciam através de depósitos e saques em dinheiro vivo em datas próximas do pagamento dos funcionários da Alerj.Inicialmente Queiroz disse que o dinheiro era fruto de um trabalho paralelo que fazia com a venda carros.

Depois o ex-assessor disse que recebia e usava o dinheiro arrecadado junto aos funcionários do gabinete de Flávio Bolsonaro para remunerar outros assessores informais, sem conhecimento do então deputado estadual.

Flávio Bolsonaro também é investigado neste caso por peculato, branqueamento de capitais e organização criminosa, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro.

O filho do Presidente brasileiro, atualmente senador na câmara alta do Congresso brasileiro, tem negado todas as acusações.

Já os investigadores suspeitam que o senador terá branqueado dinheiro alegadamente arrecadado na Alerj através de uma loja de chocolates no Rio de Janeiro da qual é sócio e também comprando e vendendo imóveis.

Contra outros suspeitos de participação no esquema, o MPRJ informou que obteve na Justiça a decretação de medidas cautelares que incluem busca e apreensão, afastamento da função pública, o comparecimento mensal em juízo e a proibição de contacto com testemunhas. Estas medidas cautelares atingem Matheus Azeredo Coutinho, que atualmente trabalha na Alerj, e os ex-funcionários da casa legislativa Luiza Paes Souza e Alessandra Esteve Marins.

O advogado Luis Gustavo Botto Maia também terá de cumprir as medidas determinadas pela Justiça.