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China acusa dois canadianos de espionagem em aparente retaliação pela Huawei

Michael Spavor (esq) e Michael Kovrig (dir)

AP

Michael Spavor e Michael Kovrig são acusados de coletarem, ilegalmente, segredos de Estado.

Procuradores chineses acusaram hoje dois cidadãos canadianos de espionagem, numa aparente tentativa de aumentar a pressão sobre o Canadá no caso envolvendo o julgamento de uma executiva do grupo chinês de telecomunicações Huawei.

O diplomata Michael Kovrig e o empresário Michael Spavor foram acusados de espionagem e de coletarem ilegalmente segredos de Estado, ao serviço de entidades estrangeiras.

As acusações foram anunciadas pela Procuradoria Geral do Estado chinês, em breves mensagens difundidas nas redes sociais.

Ambos os homens estão detidos há 18 meses, na sequência da detenção, em Vancouver, no Canadá, da diretora financeira da Huawei, Meng Wanzhou, a pedido dos Estados Unidos, por suspeita de que a empresa tenha exportado produtos de origem norte-americana para o Irão e outros países visados pelas sanções de Washington, violando as suas leis.

A China negou qualquer ligação entre a detenção de Meng, que está atualmente em liberdade sob fiança e proibida de deixar a sua casa em Vancouver, enquanto o processo de extradição prossegue no tribunal, e a detenção dos dois canadianos.

A China também condenou outros dois cidadãos do Canadá à pena de morte e suspendeu as importações de canola do país.

Pequim assegurou sempre que aquelas decisões não estão relacionadas com o caso de Meng.

As relações entre o Canadá e a China estão no seu ponto mais baixo desde a sangrenta repressão militar chinesa aos protestos pró-democracia, na Praça Tiananmen, em 1989.

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