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Ministro da Educação do Brasil diz que fica no cargo após polémica com currículo

Carlos Alberto Decotelli junto a Jair Bolsonaro

Carlos Decotelli é acusado de não ter concluído determinados graus da sua formação académica.

O novo ministro da Educação brasileiro, Carlos Decotelli, envolvido em várias polémicas com o seu currículo, afirmou na segunda-feira que vai continuar no cargo, após ter conversado com o Presidente do país, Jair Bolsonaro.

(Bolsonaro) queria saber detalhes sobre a minha vida de 50 anos como professor em todas as entidades do Brasil. Então, pegou a estrutura de detalhes, a estrutura de trabalhos no Brasil, norte, sul, leste, oeste, 40 anos de trabalho na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fundação Dom Cabral", declarou Decotelli à imprensa local, acrescentando que o chefe de Estado "queria saber esse lastro de vida como professor".

Segundo o ministro, Jair Bolsonaro quis saber detalhes sobre o percurso académico, incluindo doutoramento, pós-doutoramento, investigação de mestrado, tendo-o questionado: "Como é essa inconsistência?"."Ele queria saber o que é isso, então, eu expliquei-lhe", acrescentou o governante.

Questionado pelos jornalistas se continua no cargo, Decotelli respondeu afirmativamente e acrescentou que o assunto referente à sua formação académica está "resolvido".

Na passada quinta-feira, Jair Bolsonaro anunciou o professor Carlos Decotelli da Silva como novo ministro da Educação do país, sucedendo no cargo a Abraham Weintraub.

Ao anunciar esta nomeação, Jair Bolsonaro citou na rede social Twitter os principais títulos académicos de Decotelli, incluindo "um mestrado na Fundação Getulio Vargas, um doutoramento na Universidade de Rosário, da Argentina, e um pós-doutoramento na Universidade de Wuppertal, da Alemanha".

Contudo, desde a sua nomeação, vieram a público várias polémicas que colocaram em causa a formação académica do ministro: denúncia de plágio na dissertação de mestrado da Fundação Getúlio Vargas, falso título de doutoramento por uma universidade argentina e um pós-doutoramento na Alemanha, que não foi realizado.

Na sexta-feira, após Decotelli ser nomeado ministro, o reitor da Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, afirmou que o novo governante brasileiro não obteve o título de doutor naquela instituição, contrariamente ao que constava no seu currículo.

"O senhor Decotelli cursou o doutoramento em administração da Faculdade de Ciências Económicas e Estatísticas da Universidade Nacional de Rosário, mas não o concluiu. Não completou todos os requisitos que são exigidos pela nossa regulamentação, que exige a aprovação de uma tese final para obter o título de doutor. Portanto, não é doutor pela Universidade Nacional de Rosário", declarou o reitor Franco Bartolacci à rede Globo.

Posteriormente, surgiu a suspeita de plágio em partes da tese de mestrado entregue por Decotelli à Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro, situação que o governante negou, alegando "distrações".

Em comunicado, a FGV indicou que o orientador da dissertação foi procurado e que, caso seja confirmado um "procedimento inadequado", serão tomadas medidas administrativas e judiciais contra o novo ministro.

Além disso, a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, informou na segunda-feira que o novo ministro não possui nenhum título pela instituição, ao contrário do que constava no seu currículo, que mencionava um curso de pós-doutoramento.

Tomada de posse foi adiada

Após a sua formação ter sido colocada em causa, a tomada de posse do ministro, que estava agendada para hoje, foi adiada, segundo a imprensa brasileira.

Oficial da reserva da Marinha, Decotelli da Silva é o primeiro ministro negro do Governo de Bolsonaro e o mais recente militar a integrar o atual executivo do Brasil. É, também, o terceiro ministro da Educação do atual executivo, depois de Weintraub e de Ricardo Vélez.