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Região russa ordena campanha de vacinação contra a peste negra após duas mortes

David Zalubowski

Foram detetados casos da doença em território mongol e na vizinha China.

Uma região russa próxima da fronteira com a Mongólia ordenou hoje uma campanha de vacinação contra a peste bubónica, após a descoberta de casos da doença em território mongol e chinês.

O líder da república siberiana de Tuva, Cholban Kara-ool, ordenou a vacinação dos criadores de iaques (mamíferos ruminantes) nos dois distritos localizados na fronteira entre a Rússia e a Mongólia, informaram as autoridades locais num comunicado.

"A doença é perigosa e penosa", disse Cholban Kara-ool, citado no comunicado, sublinhando a necessidade de "uma reserva permanente de vacina".

O político disse que dez casos de peste bubónica, que causaram duas mortes, foram registados recentemente em Ulan Bator, capital da Mongólia.

É preciso "compreender o perigo de consumir carne de marmota", que pode ser portadora da bactéria Yersinia pestis, responsável pela doença, e "a necessidade de vacinar-se a tempo", insistiu Cholban Kara-ool.

Pelo menos uma pessoa morre por ano de peste bubónica na Mongólia, onde campanhas são realizada para impedir as pessoas de se aproximarem ou comerem marmotas.

No início de julho, as autoridades russas já haviam pedido o fim da caça e do consumo de marmotas após a descoberta de casos de peste bubónica na Mongólia e na vizinha China.

Os serviços de saúde russos também indicaram que iniciaram uma campanha de triagem para esta doença entre roedores na Buriácia, outra região russa na fronteira com a Mongólia.

A peste bubónica espalha-se de animais para humanos através das picadas de pulgas infetadas ou através do contacto direto com pequenos animais infetados. Não é facilmente transmitido entre pessoas.

OMS desvaloriza surto de peste negra na China

No início de julho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que está a vigiar de perto os casos de peste bubónica detetados na China e na Mongólia, enfatizando que a situação não representa uma grande ameaça e está "bem administrada".

"No momento, não consideramos que seja de risco elevado, mas estamos a vigiar de perto" a situação em parceria com as autoridades chinesas e mongóis, disse a porta-voz da OMS, Margaret Harris, numa conferência de imprensa em Genebra.

Em nota enviada aos media, a OMS informou que foi informada pela China "em 06 de julho de um caso de peste bubónica na Mongólia Interior".

A OMS enfatiza que a peste é "rara" e que geralmente é encontrada em certas áreas geográficas do globo onde ainda é endémica.

"A peste bubónica esteve e está connosco há séculos", disse Margaret Harris.

Na China, casos esporádicos de peste foram relatados na última década, segundo a OMS, que revela ter havido 3248 casos em todo o mundo entre 2010 e 2015.

A pandemia mais devastadora da história da humanidade

A peste negra ou bubónica foi a pandemia mais devastadora registada na história da humanidade, matou entre 75 a 200 milhões de pessoas, cerca de metade da população europeia do século XIV.

Estudos recentes avançaram que a doença era transmitida por pulgas de ratos, infetadas com a bactéria Yersinia pestis, que morderiam as pessoas e assim a doença se espalhava.

Os sintomas da peste bubónica geralmente aparecem após um período de um a sete dias e, sem tratamento com antibióticos, a doença apresenta uma taxa de letalidade entre 30% e 60%.

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