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Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump, detido por suspeita de fraude

JAMES LAWLER DUGGAN

Em causa um crowdfunding que tinha como objetivo financiar o muro entre os Estados Unidos e o México.

O ex-conselheiro da Casa Branca Steve Bannon foi detido esta quinta-feira sob a acusação de fraude, avançou um porta-voz do gabinete do procurador dos EUA à CNN.

Steve Bannon e mais três pessoas, alegadamente envolvidas no esquema de fraude, estão a ser acusadas de terem orquestrado "um esquema para defraudar centenas de milhares de pessoas que fizeram um donativo" para a campanha de crowdfunding online, que pretendia arrecadar fundos para construir um muro ao longo da fronteira dos Estados Unidos com o México.

No total, a campanha arrecadou mais de 25 milhões de dólares - cerca de 21 milhões de euros. De acordo com a acusação, Bannon prometeu que 100% do dinheiro seria usado para o projeto. Porém, o antigo conselheiro e outros acusados, terão utilizado centenas de milhares de dólares "de uma maneira inconsistente com as representações públicas da organização".

A acusação avança também que os quatro réus falsificaram faturas e elaboraram "arranjos com fornecedores", entre outras formas, para desviar o dinheiro, com Bannon a utilizá-lo para "pagar despesas pessoais".

Num comunicado, Audrey Strauss, procuradora em funções do Distrito sul de Nova Iorque, diz que a campanha também permitiu desviar dinheiro para Brian Kolfage, um veterano da guerra no Iraque, que foi quem criou a iniciativa para a construção do muro, apesar de ter garantido aos doadores que não receberia sequer um cêntimo.

Bannon comparecerá ainda hoje num tribunal de Nova Iorque, enquanto Kolfage e Bodolato o farão na Florida e Shea no Colorado.

O advogado de Bannon ainda não se manifestou sobre a detenção.

Steve Bannon e Donald Trump

Steve Bannon e Donald Trump

Carlos Barria

Quem é Steve Bannon

Em 2016, foi diretor executivo da campanha presidencial de Donald Trump, tendo depois assumido a posição de conselheiro da Casa Branca, de janeiro até abril de 2017, quando foi demitido. Segundo um artigo do The New York Times, Bannon terá ajudado Trump a escrever o seu discurso da tomada de posse e terá conquistado uma cadeira no Conselho de Segurança Nacional norte-americano.

Antes de entrar na Casa Branca, trabalhou no grupo financeiro Goldman Sachs e foi diretor-executivo de um site de notícias, ligado à extrema-direita norte-americana chamado Breitbart News. Ficou à frente do site em 2012, mas acabou por ser despedido em 2018 depois de uma polémica com o filho de Donald Trump, que acusou de ser "antipatriótico" e "traidor", por causa dos encontros com agentes ligados ao Kremlin, durante a campanha do atual Presidente dos Estados Unidos da América.

Fundador da organização O Movimento, que promove internacionalmente o populismo de direita e o nacionalismo económico, Bannon decidiu passar mais tempo na Europa a partir de 2018. Bruxelas foi o local escolhido para transferir a sede da sua organização.

Inicialmente, a organização contou com o apoio de políticos italianos, como é o caso de Matteo Salvini, belgas, húngaros (Viktor Orbán) e britânicos.

Em 2018, acordou com Eduardo Bolsonaro, filho do então candidato às presidenciais do Brasil, tornar-se conselheiro informal da campanha de Bolsonaro, a quem prestou auxílio nas ações na internet e na análise de dados da campanha, sem exigir qualquer retorno financeiro.

Trump lamenta detenção

O presidente-norte americano reagiu à detenção do ex-conselheiro Steve Bannon por alegado esquema de fraude. Donald Trump afirma desconhecer a organização envolvida no crime que arrecadou os fundos para o muro.