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Telescópio Hubble capta a imagem mais detalhada de um cometa após passar pelo Sol

NASA, ESA, Q. Zhang (California Institute of Technology), A. Pagan (STScI), and Z. Levay

Neowise foi o cometa mais luminoso visível no Hemisfério Norte desde o cometa Hale-Bopp, em 1997.

O telescópio espacial Hubble obteve a imagem mais detalhada de um cometa luminoso depois de passar pelo Sol, o Neowise, divulgou esta sexta-feira a Agência Espacial Europeia (ESA), que opera o aparelho.

O Neowise, que viaja agora de regresso aos confins do Sistema Solar a mais de 60 quilómetros por segundo, foi o cometa mais luminoso visível no Hemisfério Norte desde o cometa Hale-Bopp, em 1997.

NASA, ESA, Q. Zhang (California Institute of Technology), A. Pagan (STScI)

A imagem captada pelo Hubble, que mostra o Neowise como uma bola de luz, data de 8 de agosto. O cometa fez a sua maior aproximação ao Sol em 3 de julho e só voltará a ser visto perto dele dentro de 7.000 anos.

Tentativas anteriores para fotografar cometas luminosos, como o Atlas, revelaram-se mal-sucedidas, uma vez que os cometas se desintegraram ao aproximarem-se do Sol devido às temperaturas extremamente elevadas. Na sua composição, o núcleo de um cometa tem gelo.

Segundo a ESA, que divulgou em comunicado a imagem do Neowise, o núcleo do cometa, apesar de ser demasiado pequeno para ser observado diretamente pelo telescópio, ter-se-á mantido intacto à passagem pelo Sol, não tendo mais do que 4,8 quilómetros de diâmetro.

O "coração" do cometa é envolvido por uma enorme nuvem de gás e poeira, de cerca de 18 mil quilómetros de diâmetro. Do núcleo são "disparados" em direções opostas dois jatos de gás e poeira, que resultam da sublimação do gelo e que na imagem surgem com uma ténue forma cónica.

A observação feita do Neowise pelo telescópio Hubble pode ajudar os astrónomos a perceberem como a radiação solar afeta a cabeleira (poeira e gás) do cometa, que envolve o seu núcleo, e como a cor da poeira pode alterar-se à medida que o cometa se afasta do Sol.