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Julian Assange rejeitou novo pedido de extradição dos Estados Unidos

Henry Nicholls

Novo despacho, que sustenta o novo pedido de extradição, mantém as 18 acusações imputadas em abril de 2019, mas amplia agora especialmente a de intrusão.

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, rejeitou esta segunda-feira, mais uma vez, a sua extradição para os Estados Unidos, perante um novo pedido de Washington para que seja julgado por 18 acusações de espionagem e conspiração.

A juíza do tribunal criminal de Londres Vanessa Baraitser recusou o pedido dos advogados de Assange para que fosse excluída do processo a referência de "nova conduta criminosa" que é agora imputada ao réu pela justiça norte-americana, numa acusação apresentada em junho e formalizada em agosto.

O novo despacho, que sustenta o novo pedido de extradição, mantém as 18 acusações imputadas em abril de 2019, mas amplia agora especialmente a de intrusão, que inclui não apenas os negócios com o ex-militar norte-americano Chelsea Manning, em 2010, mas também relações com outras pessoas com quem Assange alegadamente teria conspirado, entre 2009 e 2015, para divulgar segredos no seu portal na Internet.

Envergando um fato escuro e gravata e de cabelo curto, Assange, de 49 anos, apresentou-se no tribunal criminal de Old Bailey, em Londres, para confirmar a sua identidade e repetir a sua recusa em ser extraditado para aos EUA.

No exterior do tribunal, dezenas de apoiantes seguravam cartazes pedindo a libertação do fundador do WikiLeaks, à entrada da primeira audiência do julgamento que tinha sido adiado em fevereiro, por causa da pandemia de covid-19.

A defesa de Assange alegou que, devido ao atraso na apresentação do auto, não teve tempo para analisar as novas denúncias e descartou pedir um adiamento, para não prolongar o processo do seu cliente, que se encontra em prisão preventiva.

A advogada de defesa Stella Morris disse mesmo que a extradição de Assange seria o equivalente a "uma pena de morte", dizendo temer que o fundador do WikiLeaks possa acabar com a sua vida, se tiver de ser julgado nos EUA, voltando a repetir o argumento de que este processo tem "motivações políticas".

Ao recusar-se a omitir as novas alegações, a juíza disse que se a defesa rejeitasse a opção de adiamento, a sua única opção seria refutar cada um dos crimes acusados, durante o julgamento.

Espera-se que a defesa chame a sua primeira testemunha para depor ainda hoje, que tentará provar que as acusações dos EUA contra Assange são "politicamente motivadas" e que a sua extradição constituiria um "abuso de processo".

A acusação, hoje representada por Joel Smith, considera que se trata de um caso de "pura criminalidade" e defende a agregação das novas acusações apresentadas pela justiça norte-americana.

Os EUA querem processar Assange por 17 crimes sob alçada da sua lei de espionagem e um pela lei de fraude e abuso informático, pela disseminação em 2010 e 2011 (embora agora estenda o período de 2009 a 2015) de registos militares e outros documentos confidenciais.

A divulgação de informações no portal do WikiLeaks expôs crimes de guerra no Iraque e no Afeganistão, arquivos sobre detenções extrajudiciais na prisão de Guantánamo e telegramas diplomáticos que revelaram abusos de direitos humanos em todo o mundo.

No centro do debate está ainda a questão de saber se Julian Assange realizou atividade jornalística, na divulgação das informações, devendo ser protegido por essa função de denunciação de crimes e abusos.