Mundo

Bielorrússia. Dois opositores detidos por "colocarem em risco a segurança nacional"

Liliya Vlasova, Pavel Latushka, Maria Kolesnikova and Maxim Znak.

Vasily Fedosenko

Svetlana Tikhanovskaya, exilada na Lituânia, exigiu na terça-feira a libertação imediata de Kolsnikova, dos restantes membros do Conselho de Coordenação da oposição e dos presos políticos.

Duas figuras da oposição bielorrussa presas recentemente, como Maria Kolesnikova, um dos rostos da campanha para as presidenciais de 9 de agosto, estão detidas por "colocarem em risco a segurança nacional", anunciou esta quarta-feira a Comissão de Investigação.

Maria Kolesnikova e Maxime Znak, membros do "Conselho de Coordenação" da oposição, realizaram "ações visando desestabilizar a situação sociopolítica e económica (...) do país e comprometer a segurança nacional", segundo um comunicado daquele organismo encarregado dos principais processos criminais na Bielorrússia.

Kolsnikova foi detida pelas autoridades bielorrussas na terça-feira na fronteira com a Ucrânia, depois de os seus apoiantes terem denunciado o seu sequestro na segunda-feira no centro de Minsk por vários homens encapuzados, levando o governo alemão a acusar hoje a Bielorrússia de usar "métodos do oeste selvagem".

A líder da oposição bielorrussa, Svetlana Tikhanovskaya, exilada na Lituânia, exigiu na terça-feira a libertação imediata de Kolsnikova, dos restantes membros do Conselho de Coordenação da oposição e dos presos políticos.

Znak, o advogado que era um dos últimos membros do Conselho de Coordenação da oposição ainda no país e em liberdade, foi detido hoje de manhã por homens encapuzados, disseram colaboradores políticos.

A prisão de Znak ocorre um mês após o início de manifestações sem precedentes na Bielorrússia contra a reeleição para um sexto mandato do Presidente, Alexandre Lukashenko, num escrutínio considerado fraudulento pela oposição.

A polícia bielorrussa tem detido dezenas de milhares de pessoas, algumas das quais se queixaram depois de tortura, suscitando protestos internacionais e ameaça de sanções.

Os Estados Unidos, a União Europeia e diversos países vizinhos da Bielorrússia também rejeitaram a vitória eleitoral de Lukashenko e condenaram a repressão policial, exortando Minsk a estabelecer um diálogo com a oposição.