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Incêndios no Pantanal. Governo do Brasil reconhece situação de emergência

Amanda Perobelli

O país garante que vai enviar apoio para o "desastre natural".

O Governo brasileiro reconheceu hoje, em Diário Oficial da União, situação de emergência no estado do Mato Grosso do Sul devido aos incêndios que lavram no Pantanal, indicando que enviará apoio para o "desastre natural".

"O Ministério do Desenvolvimento Regional vai dar todo o apoio necessário para conter os incêndios florestais que atingem o Mato Grosso do Sul, especialmente a região do Pantanal, (...) por conta do desastre natural. Com a medida, o governo estadual poderá ter acesso a recursos da União para ações de socorro, assistência, restabelecimento de serviços essenciais à população e recuperação de infraestruturas públicas danificadas", revelou o executivo em comunicado.

O Pantanal brasileiro, considerada a zona mais húmida do planeta, atravessa agora uma situação preocupante, ao enfrentar os piores incêndios das últimas décadas na região.

Neste ecossistema, já foram registados 10.153 incêndios entre janeiro e agosto, o que representa um aumento de 221% em relação ao mesmo período do ano passado.

Situado na região centro-oeste, no sul da Amazónia, o Pantanal é uma planície que tem 80% de sua área inundada na estação chuvosa e é considerado um santuário onde ainda se encontra preservada uma fauna extremamente rica, que inclui animais como jacarés, arara-azul ou onças-pintadas, espécie classificada como "quase ameaçada" de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

"Vamos dar uma resposta imediata a esse desastre que atinge um bioma (conjunto de ecossistemas) importantíssimo do Brasil, com a transferência de recursos federais para que a situação seja controlada o mais rapidamente possível. O empenho dos recursos será feito de imediato, atendendo a uma ordem do Presidente, Jair Bolsonaro", afirmou o ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho.

O secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, coronel Alexandre Lucas, está em Mato Grosso do Sul desde o fim de semana e, na manhã de hoje, acompanhou a assinatura do decreto que declarou situação de emergência em todos os 79 municípios do estado do Mato Grosso do Sul.

"As transferências vão custear transportes, combustível e locação de aeronaves. Além disso, estamos a elaborar vários planos de trabalho para acelerar o processo de aquisição do material necessário ao combate aos incêndios", informou Alexandre Lucas.

Além de Mato Grosso do Sul, também o estado de Mato Grosso declarou hoje estado de calamidade.

Esse decreto facilita a cedência imediata de recursos e permite, pela Constituição brasileira, que possa ser solicitada a intervenção do Exército, da Força Aérea e dos organismos nacionais que sejam necessários neste tipo de conjuntura.

Nesta região, dezenas de voluntários e os bombeiros de Mato Grosso arriscam as suas vidas para salvar animais que fogem do fogo que se arrasta pelo Pantanal, cuja cobertura vegetal diminuiu pelo menos 15% apenas este ano.

Especialistas indicam que o aumento das chamas na zona húmida do Pantanal se deve ao aumento da desflorestação ilegal, que vem crescendo gradativamente a cada ano, causando uma série de mudanças climáticas, como a alteração do ciclo natural das chuvas.

Este ano não choveu o suficiente durante a temporada, o que baixou os níveis de humidade do Pantanal para os menores índices dos últimos anos.

Incêndios no Pantanal aumentaram 200% no estado do Mato Grosso do Sul

  • Não estou de acordo

    Opinião

    Não estou de acordo com métodos medievais para enfrentar uma pandemia. Se os vírus evoluíram, a organização da sociedade também deveria ter evoluído o suficiente para os combater de outra forma. O recolher obrigatório é próprio dos tempos obscuros e das sociedades não democráticas. Proibir as pessoas de circular na rua asfixia a economia e não elimina a pandemia.

    José Gomes Ferreira