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Ativista de direitos humanos Narges Mohammadi libertada da prisão no Irão

Narges Mohammadi em 2008

MAGALI GIRARDIN / AP

Jornalista estava presa desde 2015.

A jornalista e ativista dos direitos humanos iraniana Narges Mohammadi foi libertada da prisão depois de uma redução na sua pena, informou hoje o judiciário iraniano.

Narges Mohammadi, de 48 anos, foi porta-voz do Centro para Defensores dos Direitos Humanos no Irão (fundado pela advogada Shirin Ebadi, galardoada com Prémio Nobel da Paz em 2003) até ser presa em 2015.

Conhecida pela sua luta pela abolição da pena de morte no Irão, Narges Mohammadi cumpria uma sentença de 10 anos de prisão depois de ser condenada em 2016 por, entre outras coisas, "criar e liderar um grupo ilegal".

A sua "pena foi reduzida (...) e ela foi libertada", declarou o chefe da autoridade judiciária na província de Zanjan (noroeste), Esmail Sadeghi-Niaraki, citado pelo portal da agência de notícias Mizan Online.

De acordo com a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF), a jornalista foi transferida "à força" para Zanjan em dezembro de 2019 da prisão de Evin, em Teerão, onde estava detida desde maio de 2015.

O marido de Mohammadi confirmou a sua libertação através de uma mensagem publicada na rede social Twitter.

"Narges foi libertada da prisão de Zanjan às 03:00 da manhã (00:00 de hoje em Lisboa). Desejo a liberdade para todos os prisioneiros", disse Taghi Rahmani.

Em junho, o advogado da ativista, Mahmoud Behzadi-Rad, pediu que Mohammadi fosse libertada da prisão para tratamento porque sofria de uma doença pulmonar.

Desde março, mais de 100.000 detidos iranianos tiveram liberdade temporária ou penas reduzidas para limitar a propagação da covid-19 nas prisões da República Islâmica, mas não Narges Mohammadi.

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, disse na terça-feira que era "particularmente importante" que o Irão, o país do Médio Oriente mais afetado pela covid-19, libertasse os seus presos políticos enquanto o novo coronavírus circulasse nas suas prisões.

A epidemia matou 27.658 pessoas no Irão, onde 483.844 pessoas foram infetadas, segundo dados oficiais.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e cinquenta e um mil mortos e mais de 35,8 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

O Irão aparece em 173º lugar (entre 180 países) na última edição do ranking mundial de liberdade de imprensa compilado pela RSF.

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