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Oposição democrática na Bielorrússia distinguida com o Prémio Sakharov

Svetlana Tikhanovskaya, líder da oposição democrática na Bielorrússia

Kay Nietfeld

A entrega do prémio está prevista para 16 de dezembro, durante a sessão plenária que deverá ocorrer em Estrasburgo, França.

A oposição democrática na Bielorrússia venceu hoje o prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento de 2020, anunciou o presidente do Parlamento Europeu (PE), David Sassoli, em sessão plenária.

"É com grande honra que informo que a conferência de presidentes decidiu atribuir o prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento aos representantes da oposição na Bielorrússia", afirmou Sassoli.

"Queria congratular os representantes da oposição da Bielorrússia pela sua coragem, resiliência e determinação, já que encarnam no quotidiano a defesa da liberdade de expressão e pensamento que o prémio Sakharov gratifica, e continuam a mostrar-se fortes perante um adversário muito potente. Aquilo que os ajuda é que a violência nunca poderá ganhar", salientou Sassoli.

O prémio hoje atribuído distingue o Conselho de Coordenação da Bielorrússia, qualificado pelo PE como uma "iniciativa de mulheres corajosas e figuras da sociedade civil e política", e que engloba diferentes personalidades, como a recente candidata à presidência do país, Svetlana Tikhanovskaya, ou a laureada com o prémio Nobel da literatura em 2015, Svetlana Alexijevich.

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Referindo que "os grandes protestos nas ruas da Bielorrússia comoveram o mundo e já estão em curso há 11 semanas", o presidente do PE sublinhou também que "à medida que aumenta a admiração perante a população bielorrussa", aumenta também a "condenação das represálias violentas de Lukashenko, os seus atos de tortura e de negação da verdade".

"Caros laureados deste prémio, mantenham-se fortes, não renuncie às vossas batalhas, e nós estaremos do vosso lado", apontou.

O Presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, também reagiu ao anúncio através da sua conta oficial na rede social Twitter.

"O prémio Sakharov deste ano recompensa a coragem da oposição na Bielorrússia e homenageia a sua luta pela democracia e liberdade. A União Europeia (UE) reitera a sua condenação à violência e apela às autoridades da Bielorrússia para que libertem todos os detidos e se empenhem num diálogo nacional inclusivo", afirmou o Charles Michel no tweet.

O Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, também congratulou os laureados em nome da Comissão.

"O prémio Sakharov vai para todos aqueles na Bielorrússia que defendem destemidamente a democracia e os direitos fundamentais face à repressão. A UE saúda a sua coragem e apoia totalmente as suas ambições", salientou Borrell na sua mensagem no Twitter.

O vencedor tinha o apoio do Partido Popular Europeu (PPE), Renew Europe (RE) e a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas no Parlamento Europeu (S&D).

Entrega do prémio prevista para 16 de dezembro

A entrega do prémio hoje anunciado está prevista para 16 de dezembro, durante a sessão plenária que deverá ocorrer em Estrasburgo, França.

Além da oposição bielorrussa, eram também finalistas a ambientalista hondurenha Berta Cáceres e os ativistas de Guapinol, e o arcebispo de Mossul (Iraque), Najib Mikhael Moussa.

O grupo de ativistas ambientais de Guapinol encontra-se detido pela sua participação num acampamento de protesto pacífico contra uma companhia mineira, cuja atividade provocara a contaminação dos rios Guapinol e San Pedro, na Guatemala.

Berta Cáceres, que englobava a categoria dos ativistas Guapinol, foi assassinada em 2016, nas Honduras, após ter protestado contra a extração ilegal de madeira e a apropriação de terras das populações indígenas.

Já o arcebispo da cidade iraquiana de Mossul, ajudou à retirada de cidadãos cristãos, sírios e caldeus para o território iraquiano reclamado pelos curdos e, desde 1990, contribuiu para a salvaguarda de mais de 800 manuscritos históricos que datam dos séculos XII e XIX.

A União Europeia (UE) recusa-se a reconhecer os resultados eleitorais de 09 de agosto na Bielorrússia, que deram como vencedor Aleksander Lukashenko, com 80% dos votos, tendo aprovado um pacote de sanções a várias personalidades do regime, incluindo o próprio Lukashenko.