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Irão convoca diplomata francês para protestar contra declarações de Macron

AP/ Sebastian Scheiner

O regime de Teerão considerou que o "comportamento das autoridades francesas é inaceitável".

O Irão convocou o segundo maior responsável da embaixada francesa em Teerão para protestar contra "a insistência" de Paris em apoiar as caricaturas do profeta Maomé, anunciou hoje o Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano em comunicado.

O encarregado de negócios da embaixada francesa no Irão, Florent Aydalot, foi convocado na segunda-feira "para um protesto contra a insistência das autoridades francesas em apoiar a publicação de caricaturas que insultam o profeta", refere o comunicado.

O Ministério iraniano considerou que o "comportamento das autoridades francesas é inaceitável", já que "ofendeu os sentimentos de milhões de muçulmanos na Europa e em todo o mundo" e sublinhou que "qualquer insulto ou falta de respeito para com o profeta do Islão e os valores do Islão são fortemente condenados".

Este comunicado surge depois das declarações do Presidente francês, Emmanuel Mácron, após o assassínio, em 16 de outubro, do professor de história e geografia Samuel Paty por um extremista russo de origem chechena por ter mostrado as caricaturas numa aula sobre liberdade de expressão.

Macron afirmou que a França "não vai abandonar as caricaturas", publicadas pela primeira vez na revista satírica Charlie Hebdo, e defendeu que o professor foi "morto porque personificou a República".

Vários jornais iranianos criticam o Presidente francês na primeira página das edições de hoje, tendo mesmo o diário ultraconservador Kayhan pedido que o embaixador francês seja expulso do Irão, argumentando que seria "o mínimo a fazer em resposta à insolência de Macron".

O jornal Javan publica uma fotografia de Macron a sorrir com o título "O Mal".

O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Javad Zarif, disse na segunda-feira que os comentários de Macron apenas alimentam o "extremismo" e afirmou que insultar todos os muçulmanos "pelos crimes hediondos de extremistas" é "um abuso oportunista da liberdade de expressão".

O assassinato aconteceu no dia 16 à tarde, junto de um colégio nos subúrbios da capital francesa, onde Samuel Paty, de 47 anos, lecionava as disciplinas de História e de Geografia.

O alegado autor do ataque, identificado como Abdullah Anzorov, um jovem de 18 anos de origem chechena, nascido na Rússia, foi abatido pela polícia.

A identidade do professor terá sido dada por alunos a Abdullah Anzorov em troca de algumas centenas de euros.

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