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Pseudo-dentes e seis metros de asa: como terá sido a maior ave voadora de sempre

UC Berkeley

Grupo de investigadores analisou dois fósseis descobertos na Antártida que terão pertencido a uma espécie de pelagornitídeos.

Na década de 1980, uma equipa de paleontologistas descobriu um conjunto fósseis na ilha de Seymor, localizada ao largo da Península da Antártida. Esta descoberta ficou em exposição do museu da Universidade de Berkeley, na Califórnia, durante mais de três décadas. Foi "redescoberta" agora por uma equipa de investigadores da universidade.

Entre os fósseis estão um osso da pata e um da mandíbula. Foi um destes dois vestígios que permitiu aos investigador identificar o que terá sido a maior espécie de aves voadoras alguma vez descoberta no planeta Terra.

As conclusões foram publicadas, esta segunda-feira, no jornal Scientific Reports. O estudo indica que o fóssil da mandíbula terá pertencido a um dos maiores pássaros voadores de sempre, que faria parte a um grupo de aves já extinto - os pelagornitídeos (Pelagornithidae). Estes animais habitaram a Terra durante, pelo menos, 60 milhões de anos e dominaram os oceanos do hemisfério sul.

O fóssil mostra que os maiores pelagornitídeos terão surgido logo depois da extinção dos dinossauros, ou seja há mais de 50 milhões de anos. Os investigadores acreditam que a extinção tenha ocorrido durante o arrefecimento da Terra, conhecida como Era do Gelo, há cerca de 2,5 milhões de anos.

A nossa descoberta de fósseis, com a estimativa de cinco a seis metros de envergadura mostra que os passaram evoluíram para uma tamanho realmente gigantesco relativamente rápido depois da extinção dos dinossauros e dominaram os oceanos durante milhões de anos, explica Peter Kloess, estudante na Universidade de Berkeley e um dos autores do estudo.

O maior dos pássaros com pseudo-dentes

Com base nos fósseis encontrados, os investigadores conseguiram estimar o tamanho individual dos animais desta espécie. Segundo o estudo, estes fósseis da Antártida representam, provavelmente, não apenas as maiores aves voadoras do Eocénico mas também os maiores pássaros volantes que alguma vez viveram.

Estes pássaros terão tido uma presença semelhante à que é atualmente ocupada pelos albatrozes, podendo atingir o dobro do tamanho desta espécie. No entanto, há diferenças entre os dois e uma delas são os pseudo-dentes.

Com um estilo de vida provavelmente semelhante aos albatrozes, estes gigantes pelagornitídeos extintos, com as suas muito longas e pontiagudas asas, terão voado livremente sobre os ancestrais oceanos, que ainda não eram dominados por baleias e focas, em busca de lulas, peixe e petiscos do mar para apanhar com o seus bicos alinhados com pseudo-dentes, explica Thomas Stidham, investigador na Academia Chinesa de Ciências, em Beijing.

Os pelagornitídeos são conhecidos por terem uma estrutura óssea no bico que, apesar de fazerem lembrar os dentes dos mamíferos, são bastante diferentes. Estas protuberâncias pontiagudas são revestidas por queratina, um material semelhante às unhas dos mamíferos, e que têm como objetivo facilitar a captura de lulas e peixes em movimento.

UC Berkeley

Há 50 milhões de anos a Antártida seria quente

Para além do estudo dos fósseis, a investigação mostra também como terá sido a Antártica há mais de 50 milhões de anos. O manto branco que se conhece atualmente terá substituído o verde de um continente quente onde viviam mamíferos, incluindo os parentes distantes das preguiças e dos papa-formigas.

Quanto aos pássaros, terão havido também espécies de avestruzes e patos, que foram entretanto extintos, assim como as primeiras espécies de pinguins. Os investigadores acreditam que a Antártida terá sido uma zona com uma rica biodiversidade.