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Ministro dos Negócios Estrangeiros francês condena declarações de violência e ódio de Erdogan

Paul Lorgerie

Jean-Yves Le Drian sublinhou ainda que "existem táticas de pressão" e "uma possível agenda de sanções".

O chefe da diplomacia francesa, Jean-Yves Le Drian, condenou esta quinta-feira as declarações de violência e ódio do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, evocando novamente a possibilidade de sanções.

"Existem agora declarações de violência, até mesmo de ódio, que são regularmente difundidas pelo Presidente Erdogan e que são inaceitáveis", disse o governante na Europa 1, enquanto as tensões bilaterais continuam a aumentar entre Paris e Ancara.

A Turquia ameaçou na quarta-feira "responder com firmeza" à dissolução na França do grupo ultranacionalista turco Lobos Cinzentos, uma decisão que acende uma nova fonte de tensão entre esses dois membros da NATO (Organização do Tratado do Atlântico Norte -- OTAN) em conflito.

"Não é só a França que é visada, há uma solidariedade totalmente europeia nesta matéria. Queremos muito fortemente que a Turquia renuncie a esta lógica", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês. "E, se assim não fosse, o Conselho Europeu, que reúne os chefes de Estado e de Governo dos 27 membros da União Europeia decidiu que vai tomar as medidas necessárias contra as autoridades turcas. Agora é importante que os turcos tomem as medidas necessárias para evitar esse desvio", acrescentou.

Jean-Yves Le Drian sublinhou ainda que "existem táticas de pressão" e "uma possível agenda de sanções".

Essa troca de acusações surge no meio de tensões diplomáticas entre a França e a Turquia, ligadas em particular a desentendimentos sobre a Síria, a Líbia e o Mediterrâneo Oriental.

Estas tensões intensificaram-se desde o final de outubro, quando Erdogan pediu um boicote aos produtos franceses, acusando o seu homólogo francês, Emmanuel Mácron, de "islamofobia" por ter defendido o direito de caricaturar o profeta Maomé.

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