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Primeiro-ministro da Etiópia promete "para breve" fim da operação militar em Tigray

Tiksa Negeri

Abiy Ahmed espera tranquilizar os aliados preocupados com a possibilidade de o país caminhar para uma guerra civil.

A operação militar em curso na região etíope de Tigray será "concluída em breve", disse esta segunda-feira o primeiro-ministro, Abiy Ahmed, esperando tranquilizar os aliados preocupados com a possibilidade de o país caminhar para uma guerra civil.

Abiy lançou uma intervenção nesta região norte do país a 04 de novembro, em resposta a alegados ataques a duas bases militares federais pelas forças das autoridades regionais de Tigray, que negaram o envolvimento nestes ataques.

"As preocupações de que a Etiópia mergulhará no caos são infundadas e resultam de um profundo mau entendimento do nosso contexto", escreveu Abiy na rede social Twitter. "A nossa operação, como Estado soberano capaz de gerir os seus assuntos internos, terminará em breve pondo fim à impunidade existente", acrescentou.

A Frente Popular de Libertação do Tigray (TPLF, na sigla em inglês), o partido que dirige a região e dominou o poder na Etiópia durante 30 anos, até Abiy se tornar primeiro-ministro em 2018, tem vindo a desafiar a autoridade do governo federal durante vários meses.

Os seus líderes afirmam que têm sido injustamente visados por processos anticorrupção, afastados de posições de responsabilidade e culpados por todos os males do país.

Pela sua parte, Abiy acusa a TPLF de procurar minar a sua agenda de reformas. A tensão entre o governo federal etíope e as autoridades regionais em Tigray aumentou consideravelmente desde que a TPLF realizou eleições regionais em setembro, votação que Adis Abeba considerou "ilegítima".

Esta segunda-feira, a TPLF acusou a força aérea etíope de bombardear 10 cidades em Tigray e afirmou ter abatido um dos seus aviões.

Um alto funcionário militar etíope, o general Mohammed Tessema, disse aos meios de comunicação estatais que a Força Aérea Etíope estava a realizar bombardeamentos sobre "alvos selecionados" e descreveu o facto de um avião ter sido abatido pela TPLF como "completamente falso".

No domingo, o novo chefe do exército, Berhanu Jula, disse que o exército etíope tinha "controlado" quatro aldeias em Tigray ocidental, onde os combates estavam concentrados.

A comunidade internacional manifestou preocupação pelo facto de o segundo país mais populoso de África (mais de 100 milhões de pessoas) estar a afundar-se num longo conflito entre o poderoso exército federal e as forças de segurança do Tigray altamente treinadas.

Segundo uma contagem da agência France Presse (AFP) baseada em testemunhos de fontes médicas e de trabalhadores humanitários, mais de 200 soldados foram feridos e oito mortos no âmbito desta operação.

Os cortes da Internet e das redes telefónicas em Tigray torna extremamente difícil a verificação da situação no terreno, segundo a AFP.