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Radicais islâmicos destroem uma das mais antigas missões católicas em Moçambique

Há relatos de decapitações em aldeias de Cabo Delgado.

O Programa Alimentar Mundial está a ficar sem dinheiro para alimentar todos os que fogem da violência armada em Cabo Delgado. A província no norte de Moçambique continua a ser alvo de ataques de radicais islâmicos, que nos últimos dias destruíram uma das mais antigas missões católicas do país.

A Igreja de Nangololo já tinha sido assaltada em abril, mas ficou agora praticamente destruída. O ataque dos jihadistas terminou há poucos dias. Além da histórica missão católica, invadiram pelo menos 10 localidades vizinhas numa ofensiva que durou cerca de três semanas.

Foram obrigados a recuar depois da intervenção das Forças de Defesa moçambicanas, mas para trás deixaram o pesado silêncio que impuseram pela violência.

Ninguém sabe ao certo quantas pessoas foram mortas, mas há relatos de vários corpos em decomposição nas aldeias que, entretanto, ficaram vazias.

A violência armada desencadeou uma fuga em massa para a capital da província. Em Pemba uma só habitação chega a acomodar 50 pessoas. A pressão é tal que a agência das Nações Unidas que presta ajuda alimentar no terreno já avisou que não tem verbas para alimentar tantos deslocados.

A província onde avança o maior investimento privado de África é há três anos palco de ataques de radicais islâmicos que dizem estar associados ao Al Shabab da Somália e ao Daesh. A ofensiva provocou até agora mais de mil mortos e levou à fuga de 400 mil pessoas.