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Rosto da luta contra a covid-19 nos EUA homenageado pelo trabalho na pandemia da Sida

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Anthony Fauci recorda: "era como colocar pensos em hemorragias”.

O maior especialista norte-americano em doenças infecciosas, Anthony Fauci, também rosto da luta contra a covid-19 nos Estados Unidos, foi homenageado na terça-feira pelo músico britânico Elton John pelo trabalho que desenvolveu na pandemia do VIH/Sida.

No Dia Mundial de Luta Contra a Sida, assinalado a 1 de dezembro, Anthony Fauci recebeu o prémio de Contribuição em Vida da organização U.S. Global Leadership Coalition, “por uma vida de serviço em prol de milhões”, anunciou Elton John.

“Que maneira maravilhosa e adequada de marcar o Dia Mundial de Luta Contra a Sida, homenageando um dos maiores campeões da história da pandemia da Sida. Há poucas pessoas neste planeta que se tenham dedicado a uma vida de serviço para salvar milhões de pessoas, como fez o Dr. Fauci”, disse o músico, fundador de uma organização sem fins lucrativos que apoia doentes e luta contra o estigma desta doença.

“O seu compromisso inabalável com a saúde pública e a inovação transformaram a abordagem ao VIH. E são a sua liderança e persistência que nos ajudarão a superar a pandemia da covid-19”, concluiu o músico britânico, citado pela CNN.

Diretor do primeiro grupo de pesquisa para a Sida do Instituto Nacional de Saúde dos EUA

Anthony Fauci, diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas norte-americano, foi coordenador para a Sida do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos antes de se ter tornado o primeiro diretor do grupo de pesquisa para a Sida desse mesmo instituto.

Numa entrevista com Barbara Bush, emitida na noite de terça-feira, Fauci relembra que os primeiros anos da pandemia da Sida, no início dos anos 80, eram como “colocar pensos em hemorragias”. Classificou-o como um dos períodos mais negros da sua vida, em que viu todos os seus pacientes morrer.

“Foi algo que me marcou, o sentimento de querer salvar as pessoas, mas não conseguir”, disse.

Depois do desenvolvimento de medicação, Fauci recordou a disparidade “dolorosa” entre os Estados Unidos e África. Para a combater, ajudou a criar o Plano de Emergência do Presidente para Combate à Sida, um programa que começou em 2003 durante a administração de George W. Bush, para ajudar a salvar vidas nos países em desenvolvimento, e que ainda hoje funciona.

“As lições que aprendemos é que se queremos fazer alguma coisa, não podemos estar divididos. Precisamos de unir as pessoas”, defendeu.