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EUA retira Sudão da lista dos países patrocinadores do terrorismo

Carlos Barria

Trump disse que retiraria o Sudão da lista de países patrocinadores do terrorismo depois de as autoridades de Cartum concordaram em pagar 335 milhões de dólares de indemnização às famílias das vítimas do terrorismo.

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, assinou hoje a saída do Sudão da lista de países patrocinadores do terrorismo, na qual figurava desde 1993, informou num comunicado a embaixada dos EUA em Cartum.

"O período de notificação de 45 dias ao Congresso expirou e o secretário de Estado assinou a anulação da designação de patrocinador do terrorismo do Sudão ", diz a nota publicada na página oficial da embaixada norte-americana na rede social Facebook.

Em 23 de outubro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que tinha assinado uma ordem para retirar o Sudão da lista de países patrocinadores do terrorismo, na qual estava desde 1993 devido ao apoio do anterior regime de Omar al-Bashir a pessoas como o fundador da Al-Qaida, Osama bin Laden, que residiu em território sudanês por cinco anos.

No entanto, a Administração dos Estados Unidos foi obrigada a notificar o Congresso sobre essa ordem executiva antes de entrar em vigor.

Trump disse que retiraria o Sudão da lista de países patrocinadores do terrorismo depois de as autoridades de Cartum concordaram em pagar 335 milhões de dólares de indenização às famílias das vítimas do terrorismo, quantia que o Governo sudanês já depositou numa conta de garantia conjunta.

Logo depois, Trump anunciou que o Sudão e Israel normalizariam as relações, algo que Washington tem pressionado Cartum a fazer nos últimos meses, um passo a ser dado que as autoridades sudanesas reconheceram estar ligado à exclusão da lista negra.

Os tribunais norte-americanos consideraram o Sudão responsável por ser cúmplice dos ataques da Al-Qaida às embaixadas dos Estados Unidos em 1998 no Quénia e na Tanzânia, e pelo bombardeamento do navio USS Cole em 2000 no do Golfo de Áden.

O novo executivo de transição sudanês, acordado entre os militares que derrubaram Al-Bashir em 2019 e a oposição civil, tem feito esforços nos últimos meses para sair da lista negra e tem tentado obter o apoio de vários países e organizações internacionais com este fim.

O Governo sudanês precisa sair da lista com urgência para ter acesso à ajuda de agências multilaterais de crédito em meio a uma profunda crise económica que ameaça todo o processo de transição.

Com a retirada do Sudão da lista de nações que apoiam o terrorismo, apenas permaneceriam nela Irão, Síria e Coreia do Norte.