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Os insetos são o novo ingrediente na gastronomia europeia

Kim Hong-Ji

A União Europeia aprovou, pela primeira vez, a utilização de uma espécie de inseto como alimento.

A ideia de comer insetos pode criar alguma repulsa, mas a introdução destes animais na alimentação europeia está mais perto do que imagina. A Agência Europeia de Segurança Alimentar (EFSA, na sigla inglesa) atribuiu, pela primeira vez, a classificação de alimento a um inseto: a larva-da-farinha.

Estas larvas já são usadas para a criação de ração para animais de estimação, mas agora vão poder integrar também os produtos alimentares destinados a humanos. Com uma composição rica em proteínas, gorduras e fibras, estas larvas amarelas passam a poder ser usadas na produção de farinhas – utilizada para a confeção de pão, biscoitos e massas.

“Há um grande interesse da comunidade científica e da indústria alimentar no setor de insetos comestíveis”, diz Ermolaos Ververis, cientista alimentar da EFSA, citado pela Sky News.

Reuters Staff

A larva-da-farinha foi o primeiro inseto a ser avaliado pela União Europeia segundo o regulação de “novos alimentos”, que foi aprovada em 2018. Desde essa altura, a EFSA recebeu 156 candidaturas, que incluem desde derivados de algas a várias espécies de insetos. A aprovação da larva-da-farinha poderá também contribuir para o aumento do número de novas candidatura.

No entanto, entre a aprovação formal e o aparecimento dos insetos no prato dos cidadãos europeus poderá passar algum tempo. Isto porque o consumo de insetos não faz parte da cultura europeia e o fator de repulsa poderá atrapalhar a integração destes alimentos no dia-a-dia.

“Existem razões cognitivas derivadas da nossa experiência social e cultural – o conhecido 'fator blarc' - que faz com que o pensamento de comer insetos seja repulsivo para muitos europeus”, esclarece Giovanni Sogari, investigadora social e de consumo na Universidade de Parma, em Itália, à Sky News. A especialista defende que, “com tempo e exposição, essa atitude poderá mudar”.

A Europa não é pioneira na aprovação de insetos comestíveis. A Austrália, a Nova Zelândia e regiões de África já terão incluído novas espécies no menu, desde barras de insetos até hambúrgueres de grilo.