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Movimento de tropas em Myanmar aumenta receios de repressão

Estão a ser destacados soldados.

Movimento de tropas em Myanmar aumenta receios de repressão
Stringer .

As forças de segurança dispararam este domingo contra manifestantes em Myanmar (antiga Birmânia), enquanto se assiste a uma movimentação de militares que aumenta os receios de repressão iminente dos protestos contra o golpe de Estado.

Há movimento de tanques em Rangum, a capital económica do país, e estão a ser destacados soldados para outras cidades, segundo imagens divulgadas nas redes sociais.

A embaixada dos Estados Unidos em Myanmar indicou na rede social Twitter que recebeu indicações sobre "movimento de tropas" e que seria possível uma interrupção das telecomunicações durante a noite. Mais tarde, surgiram informações a confirmar cortes na internet em todo o país.

Em Myitkyina, no norte do país, várias pessoas ficaram feridas quando as forças de segurança dispersaram a tiro os manifestantes, segundo uma jornalista local.

"Primeiro lançaram gás lacrimogéneo, depois dispararam", disse a jornalista, em declarações à AFP, sem poder precisar se foram usadas balas reais ou munições de borracha. Cinco jornalistas foram detidos na ocasião, segundo um 'media' local.

Reagindo a esta escalada da violência, várias embaixadas ocidentais exortaram os militares a "não recorrerem à violência" contra os manifestantes que contestam o golpe de Estado.

"Pedimos às forças de segurança para não recorrerem à violência contra os manifestantes e os civis que contestam o derrube do governo legítimo", escreveram no Twitter as representações diplomáticas dos Estados Unidos, do Canadá e de vários países da União Europeia.

O relator especial das Nações Unidas para Myanmar, Tom Andrews, alertou, através do Twitter, que era como "se os generais tivessem declarado guerra" contra as pessoas do seu país.

"Isto são sinais de desespero. Atenção, generais: serão responsabilizados", escreveu Andrews.

Golpe militar de 1 de fevereiro

O golpe militar do passado dia 1 de fevereiro derrubou o governo de Aung San Suu Kyi e pôs fim a uma frágil transição democrática de 10 anos.

O medo de represálias é grande, uma vez que na antiga Birmânia os últimos levantamentos populares de 1988 e 2007 foram reprimidos com violência pelos militares.

Apesar disso, a mobilização contra o golpe militar não diminuiu, com funcionários como médicos, professores e trabalhadores ferroviários em greve.

Milhares de pessoas nas ruas em protesto

Este domingo, pelo novo dia consecutivo, milhares de pessoas manifestaram-se nas ruas.

O exército divulgou, entretanto, uma lista de sete ativistas que procura por considerar que estimularam os protestos.

Desde o início do mês, foram detidas cerca de 400 pessoas, entre responsáveis políticos, ativistas e membros da sociedade civil, incluindo jornalistas, médicos e estudantes.

Na lista dos sete "fugitivos" figura o nome de Min Ko Naing, um líder do movimento estudantil de 1988, que já passou mais de 10 anos na prisão.