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KGB da Bielorrússia inclui líderes da oposição na lista de terroristas

Svetlana Tikhanovskaya, líder da oposição democrática na Bielorrússia

Kay Nietfeld

A líder da oposição no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, foi incluida na lista estatal de terroristas.

O Comité de Segurança do Estado (KGB) da Bielorrússia incluiu esta sexta-feira na lista estatal de terroristas a líder da oposição no exílio, Svetlana Tikhanovskaya, e o antigo ministro da Cultura Pavel Latushko, exilado na Polónia.

Em finais de março, a Procuradoria-Geral abriu um processo contra Tikhanovskaya por alegadamente preparar atos terroristas durante os protestos antigovernamentais que irromperam após as eleições presidenciais de agosto de 2020, consideradas fraudulentas pela oposição.

Para além da oposição, as autoridades estão também a acusar de prepararem "atos terroristas" membros da iniciativa BYPOL, que reúne antigos elementos das forças de segurança do país que se rebelaram contra o Presidente, Alexander Lukashenko, que está no poder desde 1994.

No total, 17 pessoas estão na lista de terroristas e já foram declaradas procuradas internacionalmente, afirma o KGB numa declaração.

Os documentos para a extradição de Tikhanovskaya da Lituânia e de Latushko da Polónia já foram preparados, acrescenta a declaração.

"Lista de traidores"

Ao mesmo tempo, as autoridades tencionam publicar uma "lista de traidores", que será composta por pessoas que "fugiram do país e estão a tentar, do exterior, combater os bielorrussos" uma medida em resposta à "lista de verdugos" elaborada pela oposição.

Tikhanovskaya, que se tem dedicado desde que deixou Minsk, em agosto de 2020, a reunir apoio internacional para a sua causa, exige a realização de novas eleições, a libertação de todos os presos políticos e a investigação da repressão de protestos pacíficos.

Latushko critica UE por continuar a fazer negócios com a Bielorrússia

Em declarações recentes à Efe, Latushko criticou a União Europeia por continuar a fazer negócios com a Bielorrússia e se recusar a impor novas sanções contra o que consideram a última ditadura da Europa.

Latushko, antigo embaixador em França e Espanha, coloca o número de bielorrussos perseguidos por razões políticas em "dezenas de milhares" - mais de 35.000 detidos desde agosto, de acordo com o Ministério do Interior, nove bielorrussos mortos durante os protestos, 1.800 que relataram terem sido torturados e 200 empresas fechadas por se juntarem às greves.

A oposição bielorrussa tentou sem sucesso retomar os protestos em massa contra Lukashenko a 25 de março por ocasião do Dia da Liberdade, o aniversário da proclamação da República Popular Bielorrussa em 1918, um dia em que várias centenas de pessoas foram presas.

As autoridades bielorrussas condenaram mais de 400 pessoas por participarem em manifestações antigovernamentais desde agosto de 2020, de acordo com o Ministério Público.