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Parlamento britânico antecipa reabertura para homenagear o príncipe Filipe, marido da rainha Isabel II

Adrian Dennis

Presidente da Câmara dos Comuns enfatizou que o príncipe Filipe será lembrado pela "leal devoção ao serviço", bem como pela "liderança em centenas de ideais e de causas".

O Parlamento britânico, atualmente a cumprir a pausa do período da Páscoa, vai antecipar a reabertura dos trabalhos para segunda-feira para prestar tributo ao príncipe Filipe, marido da Rainha Isabel II, que morreu esta sexta-feira aos 99 anos.

A convocação das duas câmaras que compõem o Parlamento de Westminster (Londres), dos Comuns (baixa) e dos Lordes (alta), para o próximo dia 12 de abril, a partir do início da tarde, foi confirmada por fontes parlamentares e governamentais britânicas citadas pelas agências internacionais.

Num comunicado, o 'speaker' (presidente) da Câmara dos Comuns, Lindsay Hoyle, declarou que esta sexta-feira é "um dia triste" para todo o país. Na mesma nota, Lindsay Hoyle lembrou como o duque de Edimburgo deu um "apoio inabalável" à Rainha Isabel II e como serviu o país "de forma desinteressada, em oito décadas de paz".

O presidente da Câmara dos Comuns enfatizou que o príncipe Filipe será lembrado pela "leal devoção ao serviço", bem como pela "liderança em centenas de ideais e de causas".

O Parlamento do Reino Unido iniciou a pausa da Páscoa no passado dia 25 de março e o retomar das sessões parlamentares estava previsto para terça-feira, dia 13 de abril.

Reações à morte do príncipe Filipe multiplicam-se no território britânico

Numa altura em que a Irlanda do Norte testemunha várias noites consecutivas de distúrbios e de confrontos entre as forças policiais e grupos de jovens unionistas protestantes, que contestam as regras comerciais aplicadas pós-'Brexit' (saída britânica da União Europeia), o governo autónomo de Belfast, de poder partilhado entre unionistas e nacionalistas, destacou hoje o papel desempenhado pela monarquia britânica para reforçar o processo de paz naquele território e para normalizar as relações entre o Reino Unido e a Irlanda.

Numa nota, a primeira-ministra da Irlanda do Norte e líder do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês), Arlene Foster, salientou o "serviço ativo e dedicado" ao país do príncipe Filipe, com quem teve "o privilégio" de se reunir durante as várias deslocações do representante à província, frisando que este sempre manteve um "grande interesse" sobre os assuntos norte-irlandeses.

Também a vice-primeira-ministra, Michelle O'Neill, do partido nacionalista Sinn Féin (o braço político do inativo Exército Republicano Irlandês -- IRA), expressou as suas condolências à comunidade "unionista e de identidade britânica" que "valoriza e ama" a família real.

"Durante as últimas duas décadas, existiram intervenções significativas da família real britânica para ajudar na construção das relações entre a Grã-Bretanha e a Irlanda. É justo que esta contribuição para a paz seja reconhecida", referiu a líder nacionalista.

De recordar que Louis Mountbatten, tio do príncipe Filipe, foi assassinado em 27 de agosto de 1979 num atentado à bomba perpetrado pelo IRA.

Do lado da Escócia, a primeira-ministra independentista, Nicola Sturgeon, afirmou estar "triste" com a morte do príncipe consorte, frisando que Filipe deixará "uma marca profunda" no território escocês, nação com a qual partilhava "laços profundos e duradouros" e onde regularmente passava férias em Balmoral.

O Partido Nacional Escocês (SNP), força política no poder, anunciou, entretanto, a suspensão "com efeito imediato" de todos os atos de campanha no âmbito das eleições parlamentares escocesas, agendadas para 06 de maio.

"Suspendemos a nossa campanha eleitoral com efeito imediato", disse a formação liderada por Nicola Sturgeon, com as restantes forças partidárias na corrida a assumirem a mesma decisão.

Após o anúncio da morte, as bandeiras no Parlamento escocês foram colocadas a meia haste.

Outra voz da política britânica que reagiu à morte do príncipe Filipe foi o antigo primeiro-ministro conservador John Major.

"Modesto até ao âmago, e relutante face às dificuldades, encarnava perfeitamente o espírito britânico e permaneceu fiel a si próprio até ao fim", declarou Major ao referir-se ao príncipe consorte, acrescentando que "a explosão de afeto e de tristeza após a sua morte tê-lo-ia surpreendido e envergonhado".

O arcebispo da Cantuária, líder espiritual da igreja anglicana de Inglaterra, recordou, por sua vez, os encontros que teve com o duque de Edimburgo.

"Fiquei sempre impressionado com a sua evidente alegria de viver, com o seu espírito curioso e com a sua capacidade de comunicar com pessoas de todas as esferas sociais", disse o representante religioso.

"Morreu pacificamente esta manhã", disse o Palácio de Buckingham

O príncipe, que ia completar 100 anos em 10 de junho, tinha saído recentemente do hospital, onde foi submetido a uma intervenção cirúrgica devido a problemas cardíacos, e regressado a Windsor.

Conhecido pelo seu sentido de humor particular, Filipe de Mountbatten, nascido com o título de príncipe da Grécia e da Dinamarca, é o consorte mais antigo da história da monarquia britânica.

Em 2017, o duque de Edimburgo afastou-se das funções públicas. Desde então, tornou-se cada vez mais raro ver o príncipe Filipe em público, exceto quando participou em grandes eventos familiares.