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Canal europeu Euronews proibido na Bielorrússia

Laurent Cipriani

A decisão recebeu várias críticas, que consideram que o regime de Alexander Lukashenko está a fazer censura.

As autoridades da Bielorrússia proibiram a transmissão no país do canal de televisão europeu Euronews, alegadamente porque os anúncios são difundidos em inglês em vez de serem traduzidos para russo ou bielorrusso, anunciou esta segunda-feira o ministério da Informação daquele país.

"O Ministério da Informação excluiu o canal de televisão estrangeiro Euronews", disse o ministério em comunicado, acrescentando que o canal, com sede na França, será substituído por um outro com programação, produzida pela Rússia, sobre a Segunda Guerra Mundial.

A decisão recebeu várias críticas, que consideram que o regime de Alexander Lukashenko está a fazer censura.

A interdição reforça "a situação de desespero em que se encontram os meios de comunicação independentes na Bielorrússia", denunciou o líder da organização humanitária bielorrussa Viasna, Ales Bialiatski.

Segundo este ativista, o Euronews permitia aos telespetadores "estar a par dos acontecimentos europeus" e vai ser agora "substituído por um canal de propaganda".

"A Bielorrússia está a cair no isolamento da informação e é isso que o regime quer", afirmou Bialiatski.

"Felizmente, a penetração da internet é muito alta no país, porque isto foi claramente uma tentativa de limitar o acesso à informação", secundou a jornalista 'freelance' e analista Hanna, num comentário publicado no Twitter.

Um grande movimento de protesto contra o Presidente Alexander Lukashenko abalou a Bielorrússia em 2020, mas foi contido pela repressão constante orquestrada pelas autoridades.

A oposição contesta a reeleição de Lukashenko, no poder desde 1994, nas presidenciais de agosto passado, considerando-a fraudulenta.

O movimento reuniu milhares de pessoas nas ruas de Minsk e noutras cidades durante semanas antes de perder lentamente o fôlego, devido ao elevado número de detenções e à violência, que provocou pelo menos quatro mortos.

Às repressões físicas seguiu-se uma campanha para eliminar os media independentes, com a deteção de vários jornalistas, alguns dos quais foram condenados a penas pesadas de prisão.