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Ministro do Ambiente brasileiro acusado de Interferir na fiscalização de crimes ambientais

Vista aérea da Amazónia na zona de Porto Velho, no estado de Rondónia, Brasil.

Bruno Kelly

Ricardo Salles é acusado de utilizar a posição para agir em favor de interesses privados.

A Polícia Federal do estado do Amazonas pediu ao Supremo Tribunal do Brasil para investigar o ministro do Ambiente do país por alegadamente interferir na fiscalização dos crimes ambientais na região relacionados com o abate ilegal de árvores.

O responsável da Polícia Federal do estado do Amazonas, Alexandre Saraiva, denunciou que Ricardo Salles alegadamente obstruiu ou dificultou "a ação de fiscalização do governo em questões ambientais" e utilizou a posição para agir em favor de interesses privados.

No relatório, enviado ao Supremo Tribunal brasileiro, é referido também que existem fortes indícios do crime de "defesa administrativa", que consiste em "patrocinar, direta ou indiretamente, interesses privados perante a administração pública", bem como de "integrar uma organização criminosa orquestrada por madeireiros [negociantes de madeiras] que são o alvo da Operação Handroanthus".

A nota especificou que os funcionários formaram uma parceria com o setor madeireiro "numa tentativa de dificultar a investigação de crimes ambientais". Além disso, Salles "decidiu adotar uma posição completamente oposta", apoiando os alvos da investigação, acrescentou.

"Para além de se abster de exercer o seu poder de polícia ambiental, impedindo a fiscalização ambiental, patrocina diretamente interesses privados e interesses ilegítimos na esfera da administração pública", de acordo com o documento.

A operação Handroanthus foi a maior apreensão de madeira na história do Brasil e gerou atritos entre a Polícia Federal, que sustenta que o material apreendido é o produto do desmatamento ilegal na Amazónia, e o ministro do Ambiente, que afirma que a madeira é legal e exige a sua libertação.