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Bolsonaro diz que sem voto impresso nas Presidenciais o país vai ter "convulsão social"

Presidente brasileiro acusou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral de não querer instaurar a medida para que Lula da Silva ganhe as eleições.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou na quinta-feira que, sem a adoção do voto impresso nas eleições presidenciais do próximo ano, o país poderá ter "um problema seríssimo", como uma "convulsão" social.

Na sua habitual transmissão em direto em vídeo na rede social Facebook, Bolsonaro voltou a defender o regresso do voto impresso ao país e atacou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, um crítico da adoção desse sistema de votação, insinuando que o objetivo do magistrado é garantir a eleição do ex-mandatário Lula da Silva em 2022.

"Vai ter sim [voto impresso], Barroso. Vamos respeitar o Parlamento. Caso contrário, teremos dúvidas nas eleições e podemos ter um problema seríssimo no Brasil. Pode um lado ou outro não aceitar, criar uma convulsão no Brasil", disse, referindo-se a uma Proposta de Emenda à Constituição que tramita na Câmara dos Deputados, que pretende tornar obrigatória a impressão do voto nas eleições.

"Ou a preocupação dele [Barroso] é outra? É voltar aquele cidadão, o presidiário, para comandar o Brasil? (...) Tiram o presidiário da cadeia, ato contínuo tornam-no elegível, para não ser Presidente?", questionou Bolsonaro numa referência a Luiz Inácio Lula da Silva, que venceria as presidenciais de 2022 segundo as últimas sondagens do Instituto Datafolha.

Bolsonaro quer mudar o sistema eleitoral eletrónico no país, que oferece resposta no mesmo dia do sufrágio e que é usado há mais de 20 anos no Brasil, e substituí-lo pelo voto impresso na urna.

No mês passado, o chefe de Estado chegou a ameaçar que se o Congresso não aprovar o voto impresso, não haverá presidenciais em 2022.

Ao acusar o atual sistema eleitoral brasileiro de fraudulento, Bolsonaro sugeriu que o ex-candidato presencial Aécio Neves teria vencido a eleição de 2014 contra Dilma Rousseff, acrescentando que ele próprio venceu o sufrágio de 2018 na primeira volta, e não na segunda, como realmente aconteceu.

"Mais que desconfio, eu tenho convicção [de] que realmente tem fraude. As informações que nós tivemos aqui ---talvez a gente venha a disponibilizar um dia - é que, em 2014, o Aécio ganhou as eleições. Em 2018, eu ganhei na primeira volta", voltou a afirmar Bolsonaro, sem nunca ter apresentado nenhuma prova nesse sentido.

Bolsonaro aproveitou ainda para criticar Lula da Silva e afirmou que o antigo mandatário já estaria a negociar cargos para um eventual futuro Governo.

"Ele [Lula] está rodando o Brasil todo, já negociando cargos. Teve um contacto dele esses dias com um partido, já negociou um Ministério e a Caixa Económica, para ter apoio na ocasião das eleições", declarou o Presidente, no vídeo transmitido nas redes sociais.

Apesar das referências ao sufrágio do próximo ano, Bolsonaro afirmou que ainda decidirá se será candidato à reeleição.

Contudo, quer Lula, quer Bolsonaro já admitiram publicamente a possibilidade de concorreram à Presidência do Brasil em 2022.